How are things on the west coast?

Agora estão bem, mas a angústia novamente foi grande por um bom tempo. Especialmente a partir de quarta-feira, quando acordei com uma gripe misturada a uma dor de garganta dos infernos. Eu já tinha passado por situação semelhante em 2005. Mas não conseguia me controlar. A expectativa para assistir o último show da turnê sul-americana do Interpol era enorme. Ver o quarteto de Nova York seria o equivalente de 2008 ao Strokes três anos antes. Afinal, o posto de banda predileta no momento está sempre vago, apesar de as cinco primeiras nunca mudarem. Ingresso e passagens compradas, hospedagem garantida e quase toda a raça confirmada, era só esperar a hora de fazer a mala e tocar para o aeroporto. Diabos, como isso demorou!
Chegando em Belo Horizonte, a supresa. A previsão do tempo dizia que iria chover, mas a manhã estava ensolarada na capital dos mineiros. Por conta da gripe que me deixou acordado a noite inteira - sem contar o vôo praticamente na madruga -, era melhor mesmo ir para a casa da Fernanda e lá dormir um pouco. Muita água, suco, amoxilina e um bacalhau no almoço ajudaram bastante na tarefa de juntar forças para o que vinha pela frente. Horas depois, à noite, a previsão virou realidade: chove sem parar em BH. Ilhados no Mc Donald's perto do bar onde faziamos um esquenta, não tivemos alternativa a não ser correr e encharcar os pés. A chuva diminuiu e podemos ir à pé para o local do show.
Chegando lá, a banda de abertura tocava uma música do Mutantes. Quando você tem mais ou menos 30 minutos para abrir o show de um grupo gringo, coloca um cover no seu repertório? Enfim, eu nem prestei muita atenção neles mesmo, havia muita luz naquela hora. Mais, eu estava nervoso para ouvir os acordes iniciais de Pioneer to the falls, música com que o Interpol abriu todos os shows até então na turnê sul-americana. Acaba a apresentação de abertura. As luzes vão diminuindo. Os roadies saem do palco e a expectativa só aumenta. Até que um som tribal começa a ressoar pelos alto-falantes. O telão atrás do palco se acende. Os quatro rapazes de NYC, bem vestidos e altamente blasés, entram no palco.
Nessa hora não tem muito como segurar a emoção. É cantar junto em Pioneer to the falls, berrar em Obstacle 1, vibrar com Narc e C'mere. Estamos só no começo, as quatro primeiras músicas, e meu folego de fumante vai para o espaço. Ah, que se dane o dia seguinte, que a gripe vá para aquele lugar, eu quero mais pular e cantar junto. Dividir aquele momento tão esperado com meus amigos. As músicas que são símbolo para a galera, como Evil e Slow hands, são mais significativas. É a gente pulando em rodinha até não aguentar mais! Tirando o momento Lighthouse, onde todos aproveitaram para descansar, ir ao banheiro ou comprar cerveja, não tem como fazer reparos ao que o Interpol mostrou em Belo Horizonte. Eu liguei para pessoas que não estavam lá, mandei mensagens, fiz tudo para dividir também com quem não foi.
Nem acreditei quando começaram os primeiros acordes de PDA. Terminava ali o sonho de aproximadamente 90 minutos. Terminava ali, interrompidos por poucos minutos do intervalo antes do bis, uma seqüência espetacular: Evil, Heinrich maneuver, Not even jail, Untitled/NYC, Stella was a diver and she was always down e PDA. Por muito tempo, por tudo que tinha visto, sempre achei que me decepcionaria muito em um show do Interpol. Isso não aconteceu! Qualidade de som, presença de palco (cada um ao seu modo), boa iluminação, pouco papo. Enfim, os quatro me surpreenderam mesmo, entrando logo para o pódio dos melhores shows que eu já vi. Um único problema: não precisavam fazer o mesmo set list de todas as apresentações na América do Sul, né? A mesma seqüência, as mesmas músicas, com exceção de uma troca ali e outra lá.
Mas enfim, isso não é nem um pouco importante. O que importa é que o Interpol hoje faz companhia a Strokes e Franz Ferdinand no top 3 dos melhores shows que eu vi. Não farei como Antônio Carlos, mas que eu estou satisfeito por ter visto quase todas as minhas bandas prediletas tocarem isso eu estou. Agora eu posso ficar tranqüilo até o Radiohead resolver descer por essas bandas.
Escrito por Mário Coelho às 05h03
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