Oh my friend, the end

A notícia caiu como uma bomba na cena alternativa de Santa Catarina no começo da semana. No Orkut, M. Leonardo, baixista da Pipodélica, anunciava o fim da banda em um comunicado curto e lacônico. Nos blogs de coleguinhas que trazem notícias sobre música, um misto de pesar e resignação. (Tem post aqui, aqui e aqui.) É realmente uma pena. A Pipodélica era, sem dúvida alguma, a banda com trabalho mais consistente que surgiu em Santa Catarina. Sem desmerecer as boas, o quarteto estava a anos-luz dos colegas de cena. Ao que tudo indica, após sete anos de atividade, eles cansaram de dar murros em ponta de faca e também um dos outros.
Eu conheci a Pipodélica em 2000, quando eles ainda eram um quinteto e Eduardo Xuxu, guitarrista e principal compositor, dividia os vocais com uma garota. A influência de rock progressivo ainda comandava as composições. Ao vivo, a banda mostrava insegurança. Não gostei. Naquela época, eles tinham um apelido nada lisonjeiro, que rapazes de outras bandas faziam questão de espalhar por aí. Tudo mudou em 2002, quando saiu o EP "Enquanto o sono não vem". A menina que arrepiava os vocais saiu, assim como o outro guitarrista. Consolidados em um quarteto, a produção só subiu. O progressivo foi perdendo espaço para o pop e o indie do anos 2000. Isso fica bem claro nos espetaculares "Simetria radial" e "Volume 4".
Eu fiquei triste. Não só pela qualidade da Pipodélica. Ótimos discos, shows cada vez melhores. Eles sempre davam um jeito de encaixar uma cover aqui, outra ali, nas apresentações. De Molly's chambers, do Kings of Leon, a Space oddity, do David Bowie. Com essas armas, a Pipodélica conseguiu se destacar no cenário alternativo brasileiro. Tocou nos principais festivais do país, foi elogiada por toda a crítica especializada. Agora, é esperar a banda lançar o último disco, "Não espere por nós", no forno desde 2006. A partir do término das atividades, Santa Catarina continua com a sua história das bandas que podiam e não foram. Do Expresso Rural, lá no fim dos anos 1970, a Phunky Buddha e Os Pistoleiros, no início do século XXI.
Escrito por Mário Coelho às 20h10
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