Todo carnaval tem seu fim
E eu nem quis brincar de ser feliz ou pintar o meu nariz. O carnaval terminou para mim somente ontem, já que no trampo a quarta-feira de cinzas foi transformada em feriado. Não que isso tivesse mudado alguma coisa e acrescentado mais esbórnia à minha folia. O programa do carnaval foi praticamente o mesmo. Sem colocar o pé fora de casa, vendo filmes, lendo e dormindo. Cada vez mais gosto de ficar no meu apartamento, curtindo o silêncio e a solidão. Deixo os telefones no mudo, atendo somente quem eu quero e quando eu quero. Por favor, deixem recados para eu avaliar se vale a pena gastar créditos ou não.
Claro que não foi todo o tempo assim. A programação deste ano começou de maneira bem nerd: Tenacious D e Death proof na casa do Ronaldo, na sexta-feira. Na primeira vez que vi o filme do Tarantino, no Festival Internacional de Cinema de Brasília, confesso que não gostei muito. Agora, vendo em DVD, achei a fita fantástica. Acho que o problema foi o lugar que assisti antes, uma sala de shows adaptada para cinema. Depois, no sábado, teve a "Nada de samba", cujo set list publiquei no post anterior. Como disse a mineirinha Fernanda, a gente virou especialista em fazer festas em datas que não gostamos. Ano-novo, carnaval e qualquer outro feriado que tenha sentido para as outras pessoas. Menos nós, claro. Dois dias depois, a farsa do nome. Não deixa de ser engraçado você ir a uma festa chamada Rock and roll, chegar lá e tocar um monte de coisas que não são rock. Coisas do público indie de Brasília.
Esse carnaval me lembrou muito o meu primeiro ano em Brasília. Tinha chegado há pouco mais de um mês, não conhecia ninguém e estava sem dinheiro. Quer dizer, dinheiro eu tinha, mas não podia sacar porque o cartão do banco venceu e levou quase dois meses após o vencimento para eu receber o novo. Passei três dias enfurnado na pousada onde morava. Apenas eu estava lá. Até a dona do lugar se mandou para curtir o carnaval. Deixou a chave comigo e viajou para o interior de Goiás. Usei o pouco dinheiro que tinha para comprar comida e me enterrei nos livros. De vez em quando ligava a televisão para ver um pouco dos desfiles das escolas de samba. Na segunda-feira, fui até o jornal onde trabalhava e fiz umas notas para a coluna de política do jornal, olhei meus e-mails e pedi um lanche do Mc Donald's, que aceitava cheques de conta de outros estados. A grande diferença de 2005 para 2008 é que este ano o isolamento foi voluntário.
Nos quatro carnavais desde que cheguei aqui, nenhum programa se repetiu exatamente. Em 2006 eu estava de plantão no jornal. Confesso que foi divertido cobrir as "escolas de samba" no Ceilambódromo. Mas o que mais valeu a pena foi ter fugido da cobertura dos blocos, como o Pacotão e o Galinho de Brasília. Não tenho paciência para essas coisas não. No ano passado, fui para o verdadeiro túmulo do samba. Muitas baladas rock em São Paulo, encontros com os amigos e mashups no Clash Club. Além da tradicional visita à Galeria do Rock e aos sebos do centro da cidade. Ano que vem provavelmente estarei de férias. E a escrita de os carnavais não se repetirem deve permanecer. Nada como a rotina da falta de rotina.
Escrito por Mário Coelho às 08h27
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Nada de samba

Boa festa. A Landscape encheu e o povo dançou das 23h até às 5h, sem distinção nas músicas mais meiguinhas ou nas mais pesadas. Minhas duas seqüências foram bem prestigiadas. Toquei obviedades e algumas coisas diferentes. O resultado, apesar de alguns erros, me satisfez.
Primeira seqüência:
1- Dave Dee, Dozy, Beaky, Mick and Titch - Hold tight 2- Backbeat Band - Please mr. postman 3- Rolling Stones - Satisfaction 4- Kings of Leon - Molly's chambers 5- Van Halen - Pretty woman 6- The Clash - Should I stay or should I go 7- Snoop Dogg - What's my name 8- House of Pain - Jump around (apropriada do Bode Velho) 9- Michael Jackson - Thriller 10- Jay R - Sri Lanka high (mashup de Rock'n'roll high school, do Ramones, e Galang, da M.I.A.) 11- Divide and Kreate - Illiterate city (mashup de Paradise city, do Guns'n'Roses, e ABC e I Want you back, do Jackson Five) 12- Artic Monkeys - Fluorescent adolescent 13- Strokes - Reptilia 14- White Stripes - Doorbel
Segunda seqüência
1- Metallica - Enter sandman 2- Nirvana - Lithium 3- Foo Fighters - Long road to ruin 4- Red Hot Chili Peppers - Suck my kiss 5- Pixies - Debaser 6- Blur - Song 2 7- REM - It's the end of the world as we know it (and I feel fine) 8- Iggy Pop - Candy 9- Strokes - Last nite 10- Franz Ferdinand - Do you want to 11- Killers - Somebody told me 12- Kaiser Chiefs - Ruby 13- The Fratellis - Chelsea digger 14- Strokes - Heart in a cage 15- Max Entropy - Short skirt, long bridge (mashup de Short skirt, long jacket, do Cake, e London bridge, da Fergie)
Escrito por Mário Coelho às 06h35
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