Matar sim, praguejar não

Eu já tinha idéia do que me esperava. Em entrevista à revista SET, Bruce Willis dizia que os produtores de Duro de matar 4.0 preferiram fazer o filme de uma maneira que a censura fosse para maiores de 13 anos, desde que acompanhados pelos pais. E, para isso acontecer em uma fita de ação, eles teriam que tomar certos cuidados. Não nas cenas de ação, diminuir a violência e o número de mortes. Para garantir que a molecada fosse aos cinemas assistir mais uma continuação do blockbuster, bastava que os roteiristas não colocassem palavrões no texto, como fuck, motherfucker, son of a bitch, shit e por aí vai. Eles teriam uma cota para preencher. Em todas as poucas mais de duas horas de filme, aparece um asshole na metade e a famosa frase de John McClane nos minutos finais.
Não que isso tenha mudado minha opinião sobre Duro de matar 4.0. Uma boa fita de ação, que, para quem gosta do gênero, prende a atenção do início ao fim. Tem suas cenas forçadas, como quando McClane cai de uma ponte bem em cima de um caça da Força Aérea norte-americana. Agora, os cuidados durante a produção para assegurar a presença dos adolescentes nas salas de cinema foram de uma hipocrisia fantástica. Nunca que o personagem de Bruce Willis havia matado tantos "bandidos". E nunca que os bandidos tinham matado tantos "mocinhos". Mas falar palavrão não pode! Afinal, as crianças precisam de bons exemplos vindos da telona...
Escrito por Mário Coelho às 06h27
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Estalo de dedos
Tirado do blog do Lúcio Ribeiro, no iG:
"Sabe aquele texto meu do post passado, sobre o pós-mega-neo-new-novo rock e o tempo em que vivemos hoje? Pois então. Achei um artigo do New York Times que em três linhas explica perfeitamente o que eu tentei em 300. Data de junho do ano passado, escrito pelo bamba Kelefa Sanneh. É o trecho inicial de uma resenha sobre o grupo local Vampire Weekend. E é mais ou menos assim:
'Para um atuante fã de indie rock em 2007, um álbum de estréia é mais um produto final do que um ponto de partida. Na hora em que o primeiro CD ensacado e com código de barra chega às lojas, a banda em questão provalvelmente já é notícia velha, tendo percorrido muitos ciclos online do hype e da derrubada. Num mundo que não irá esperar pacientemente pela data oficial de lançamento de um álbum, faz mais sentido falar sobre o primeiro MP3, a primeira aparição no YouTube, a primeira música postada no MySpace...'
Até o brilhante “New York Times”, diário americano austero, “adulto” e algo atrasado em música (“so last-year”), já percebeu que o mundo mudou. Que beleza. Depois desse papinho inicial, toma aí a continuação das bandas pós-new-novas mais legais de agora, aquelas que vão deixar seu 2008 mais feliz. Ou não."
Só li as três linhas do cara do NYT, não fui atrás do resto. Mas, pra mim, fica claro que o cara faz uma crítica à maneira que se consome música atualmente. Tudo é efêmero, surge e desaparece na mesma velocidade. Para quê comprar ou baixar o segundo disco daquela banda hypada em 2006 se tem a novidade pintando no MySpace mais perto de você? Não existe mais distanciamento. Ninguém mais quer saber de acompanhar carreiras, de procurar ligações do que está sendo construído com o que já existe. O "cool" é brincar de quantas bandas desconhecidas você e mais ninguém conhece. Agora isso é conhecimento. E quase todos caem nessa cilada.
E aí eu pergunto: quantas dessas melhores bandas da última semana serão realmente relevantes daqui três, quatro, 10 anos? Quantos grupos vieram na cola do Strokes e o hype do Napster em 2001 e quantas existem até hoje? Por quase três anos vivi sem computador; conseqüentemente, tinha um acesso relativo à informação, mas não tinha como adquiri-la. O que acabou sendo uma coisa boa. Para comprar um CD, que é caro mesmo, tinha que ter certeza do que estava fazendo. E os métodos eram os mesmos de 10, 15 anos atrás: amigos que mostram o disco, a MTV que passa o clipe e a música que toca na balada. Hoje, escrevendo no meu lap top HP, com uma boa conexão banda larga, não sei o que baixar, tamanha são as opções. O que, na verdade, vira nenhuma.
Escrito por Mário Coelho às 02h42
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Reign in blood
Zé do Caixão voltou e está mais sedento por sangue do que nunca. Encarnação do demônio, fim da trilogia sobre o coveiro que busca a mulher ideal para ter seu filho, aparenta, pelos três minutos de trailer, ser o mais explícito de todos os filmes do personagem que deixou José Mojica Marins conhecido no mundo inteiro. Quem quiser, pode se preparar assistindo as duas primeiras partes - À meia-noite levarei tua alma e Esta noite encarnarei no teu cadáver, e ver outras obras do mesmo gênero de terror, o atualmente chamado torture porn. O filme está previsto para estrear no circuito comercial em março deste ano.
Escrito por Mário Coelho às 03h06
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Onde você dormiu a noite passada?

Dos incontáveis acústicos da MTV, especialmente nos últimos anos, esse talvez seja o melhor. E, além de tudo, o mais arriscado. Ao aceitar o convite da emissora para gravar em 1993 o "Unplugged in New York", o Nirvana jogou todas as poucas fórmulas no lixo e fez um programa diferente dos demais. Tocou apenas um hit, abusou das covers e convidou uma banda obscura do Arizona para participar da apresentação. Essa combinação de fatores deixou os produtores da MTV de cabelos em pé, temerosos com o fracasso de audiência. Mas, ao assistir o programa inteiro, sem cortes, no recém lançado DVD do acústico, percebe-se facilmente que Kurt Cobain e companhia transformavam em ouro tudo que tocavam.
O Nirvana escolheu o caminho mais difícil. Dos singles de "Nevermind", o grande sucesso comercial da banda, tocaram apenas Come as you are. Em um determinado momento, Cobain questiona a platéia, quando pedem para tocar In bloom. "Como se toca In bloom de maneira acústica?", retrucou. Do último disco de estúdio, "In utero", apareceram as obscuras All apologies, uma das músicas de trabalho do acústico, Dumb e Pennyroyal tea. O único single, Heart-shaped box, ficou de fora. De um total de 14 canções, seis eram composições de outros artistas: uma do Vaselines, outra do David Bowie e mais três do Meat Puppets, além de Where did you sleep last night, uma canção folk norte-americana do século 19.
Os 56 minutos da apresentação do Nirvana em Nova York não serviram apenas para mostrar o legado da banda para o futuro, de como eles faziam as coisas ao seu modo. Nem sempre seguiam isso - não era uma banda que seguisse a filosofia punk do do it yourself. Até hoje o Nirvana tem sua influência. Já se vão 16 anos desde que o trio de Seattle lançou Nevermind e o disco continua atual - escrevi um post um tempo atrás sobre a banda. O acústico mostra um Nirvana que nem todos conhecem e até fez os desconhecidos do Meat Puppets terem uma boa vendagem de "Too high to die", lançado em 1994. Ao ver a apresentação, foi inevitável sentir saudade daquele tempo, de músicos que agiam como se não houvesse amanhã. Afinal, como o próprio Kurt disse uma vez, é melhor morrer do que virar um Pete Townsend.
Escrito por Mário Coelho às 02h30
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