Clint Eastwood sempre foi um dos meus atores prediletos. Mesmo quando quase todos consideravam o ator um bronco, capaz apenas de fazer papéis truculentos, como o policial Harry Callahan, da série Dirty Harry, ou os caubóis Pregador, de O cavaleiro solitário, e o xerife Walt Coogan, de Meu nome é Coogan. Anos e anos depois, Eastwood caiu nas graças da crítica e de um público mais ... (coloquemos assim) ao ressuscitar o gênero western com o filmaço Os imperdoáveis. Nos últimos quatro anos, ele dirigiu quatro fitas fantásticas: Sobre meninos e lobos, Menina de ouro, Conquista da glória e Cartas de Iwo Jima. Esses filmes têm um elo: todos foram baseados em obras literárias. Dos quatro, ele atuou em apenas um. Fez o treinador Frankie Dunn em Menina de ouro. Hoje oscarizado - ganhou melhor filme e direção tanto por Menina de ouro e quanto em Os imperdoáveis -, vive um momento diferenciado. Por anos foi deixado para escanteio em Hollywood. Teve que sair do país e ir para a Itália participar dos filmes de Sergio Leone, como Por uns dólares a mais e Três homens em conflito.
Sem dúvida nenhuma, meus favoritos d Eastwood atuando são os três primeiros da série Dirty Harry: Perseguidor implacável, Magnum 44 e Sem medo da morte. Agora, é incontestável o que ele tem feito como diretor. Mas um fato me chama atenção. Como disse no parágrafo acima, todos os últimos quatro filmes dele, que venceram e disputaram o Oscar, tiveram o roteiro adaptado de livros. Não lembro quem escreveu isso, se foi a Folha ou o Estadão, mas alguém disse que Eastwood tinha se tornado um grande adaptador da idéia dos outros. Ou seja: teria dificuldades em trabalhar com roteiros inéditos. Pode até ser. Mas, tirando por base o trabalho dele como diretor de Sobre meninos e lobos para cá, ele faz melhor do que 95% dos diretores que estão por aí. Enfim, todo esse nariz de cera para dizer que acabei de assistir na Globo Menina de ouro. Não vi no cinema, todos falavam que era sobre eutanásia - o que praticamente entrega o final do filme! -, ignorei quando chegou na locadora. Vi e fiquei embasbacado. Somente isso.
Na semana passada, assisti o filme do Quentin Tarantino em uma sessão do Festival Internacional de Cinema (FIC) de Brasília. Ele é inferior a Planet terror, do Robert Rodriguez. Fica quase uma hora e meia de diálogos recheados de referências pop. Vale pelos últimos 30 minutos, com uma mega cena de perseguição de carros. No começo, Zoe Bell fica em cima do capô do Dodge Challenger se segurando apenas em dois cintos presos às portas. Deu vontade de sair fazendo isso depois da sessão.
Tenho o hábito, não sei se bom ou não, de analisar as letras das bandas e cantores que eu mais gosto. Ao mesmo tempo, não costumo dar muita atenção ao que eles dizem. Afinal, música não é poesia. Pode até ser - Bob Dylan está aí para ser a exceção à regra -, mas rock'n'roll é rock'n'roll. Agora, às vezes fico incomodado com algumas letras. E é só por eu não entender seus significados. O exemplo mais recente é da Amy Winehouse, cujo fantástico álbum Back to black não sai do meu iPod. Por mais talentosa que a cantora inglesa seja, não dá para esconder que as letras que ela escreve são completamente nonsenses. Para a grande maioria dos ouvintes, claro, já que estão recheadas de referências internas e até de piadas privadas. A campeã, pra mim, é You that I'm no good. Alguns exemplos:
- You're tear men down like Roger Moore. Será que Roger Moore é o 007 predileto de Amy Winehouse? Ou ela simplesmente jogou o cara ali para rimar o sobrenome do ator com door?
- And sniff me out like I was Tanqueray. Tanqueray é uma marca inglesa de vodca e de gin. Pelo jeito, deve ser saborosa. Até aí sem problemas. Agora, a pessoa cheira a bebida, não toma?
- Sweet reunion, Jamaica and Spain, we're like how we were again. Hum, essa é aberta à qualquer tipo de interpretação. Veja bem. Minha hipótese é que ela relacione os dois países à momentos bons com o carinha que motivou a música. Mas pode ser também uma piada interna para qualquer coisa.
Não é uma das letras mais nonsense dos últimos tempos?