Desabafos regados a Malboro e Coca-Cola


Limpeza

De quarta-feira para cá, tenho buscado um pouco mais de disciplina com o blog. Voltar ao hábito de escrever por escrever, sem a obrigação de cumprir pautas e deadlines apertados. Vou tentar manter a promessa, e deixar esse espaço sempre com textos do dia. Até limpei os links ali do lado. Coloquei dois novos blogs e tirei alguns que estavam desativados.



Escrito por Mário Coelho às 13h24
[ ] [ envie esta mensagem ]


Pega um, pega geral

Não, eu não sou uma das 2,5 milhões de pessoas que já assistiram Tropa de elite, o filme do cineasta carioca José Padilha sobre o Batalhão de Operações Especiais (Bope) do Rio de Janeiro. O engraçado é que, eventualmente, eu financio o crime organizado comprando DVDs piratas. (Esse é o termo da moda, "financiar o crime".) Devo ter, em casa, uns quatro ou cinco filmes comprados no camelô. Então, não é por pudor que ainda não vi a obra. Nos últimos dias, conforme cresce o furor em torno da fita, a curiosidade tem aumentado. Todo mundo só fala nisso. Uma matéria do jornal O Estado de São Paulo de hoje, o Luiz Carlos Merten, que é quem mais entende de cinema no Brasil, mostra que os taxistas do Rio só falam nisso.

Lógico, aqui em Brasília não poderia ser diferente. Quase todos dos meus colegas de profissão assistiram Tropa de elite. Alguns mais de uma vez. Os motoristas do jornal a mesma coisa. Só se fala nisso. Todos discutindo as ações do Bope, os diálogos, a atuação do Wágner Moura - que interpreta o Capitão Nascimento -, a tal cena de tortura com um cabo de vassoura. Enfim, é o assunto do momento. A primeira vez que me vi no meio de uma discussão sobre o filme estava no Bope aqui do DF. Vinte policiais da Força Nacional de Segurança chegaram naquele dia a Brasília, e ficariam alojados no quartel general do Batalhão.

Depois de um plantão básico na entrada do quartel, fomos convidados pelo subcomandante da unidade para entrar. Fiz entrevistas que garantiram o furo da edição do dia seguinte. Pude contar com detalhes quantos eram, de onde tinham vindo, quantas horas de viagem e o que iriam fazer aqui. O grupo faz parte da equipe responsável pelas ações precursoras, que levanta todas as informações necessárias sobre a região onde vão atuar. No caso deles, o Entorno do DF. Voltando ao filme, era só o que se falava lá dentro. Especialmente porque 30 policiais do Bope brasiliense fizeram um treinamento com os colegas cariocas em favelas do Rio.

Duas frases repetidas à exaustão por lá:
- O filme é bom para o Bope, mas ruim para a polícia.
- O filme é a realidade pura; os caras do Bope do Rio são loucos mesmo.

Acho que preciso ver esse filme logo. De quebra, tenho uma pauta na gaveta sore isso.



Escrito por Mário Coelho às 11h40
[ ] [ envie esta mensagem ]


Mãos ao alto!

Há três semanas, um colega do jornal - Amaury Ribeiro Jr. - foi baleado em Cidade Ocidental (GO), cidade distante 45km de Brasília. Ele vinha fazendo uma série de matérias sobre o tráfico de drogas na região. Inicialmente, dizia-se que era um atentado, uma represália, já que o repórter tinha mostrado a identidade do principal traficante da região. A polícia goiana não entendeu assim. Mesmo sem ouvir o depoimento dele, afirmou que houve uma tentativa frustrada de roubo. Antes do criminoso atirar, Amaury reagiu. Contrariar todas as regras de segurança é que salvou o colega da morte.

Dias antes, eu tinha entrado nessa cobertura também. Estava em Cidade Ocidental, cobrindo uma manifestação dos pais de duas meninas mortas por traficantes. Na parte da tarde, acompanharia o resto do protesto deles. Ainda apuraria para uma matéria de domingo que fazia junto com uma outra colega. Almoçamos e dividimos a equipe. O fotógrafo que estava comigo saiu com Amaury; foram correr atrás de mais personagens vítimas de violência. Eu e o motorista, sem ter o que fazer, procuramos uma sombra para ficar. Eu disse para irmos a um lugar movimentado; não dava para dar mole em situação alguma.

Paramos em frente a uma área comercial. Era pouco depois das 12h. Muita gente na rua, entrando e saindo das lojinhas, crianças em uniformes escolares passando nas calçadas. Ficamos dentro do carro. Eu lia o jornal mais uma vez e o motorista reclinou o banco para tirar um cochilo. Ao fazer isso, ele ajeitou o retrovisor para poder ver o que acontecia na rua, às nossas costas. Foi nesse momento que ele me alertou: três rapazes pararam as bicicletas próximas ao nosso carro. Um ficou bem atrás, enquanto os outros dois estavam do outro lado da rua. O primeiro abriu a pochete e colocou alguma coisa embaixo da camisa.

O motorista me avisou e falei para sairmos dali o mais rápido possível. Saímos da cidade e paramos em um posto de gasolina próximo à entrada de Cidade Ocidental. Não ficamos lá para ter que pagar para ver o que o rapaz tinha tirado da pochete. Apesar do aperto, essa não foi a situação mais bizarra que enfrentei em seis anos de profissão. Isso aconteceu bem no primeiro dia de trabalho no saudoso jornal O Estado, em Santa Catarina. Meu primeiro dia como estagiário de polícia.

Fazia a ronda por telefone como o editor de polícia tinha me ensinado no dia anterior. Não tinha nenhuma ocorrência de destaque, até mais ou menos 17h. Apareceu um caso de tiroteio dentro do maior supermercado de Florianópolis. Quatro homens tentaram roubar o estabelecimento, os seguranças reagiram e houve tiro para tudo quanto é lado. Um dos vigilantes ficou ferido. Os quatro assaltantes fugiram. Aí começa minha experiência. No jornal, não tinha carro para me levar até o local do crime. Aí, um dos colunistas se levantou da cadeira e disse que me levaria até o local.

Os assaltantes já tinham saído do supermercado. A última informação que eu tinha era de que o grupo tinha sido encurralado pela polícia no cemitério da cidade. A redação do jornal era próxima do local. Mas chovia, e o trânsito de fim de tarde estava mais infernal ainda. O colunista fez uma série de manobras arriscadas - para não dizer barbeiragens -, chegou até a subir em uma calçada. Tínhamos que passar por um viaduto. Ele perdeu a entrada, deu ré na via mesmo e entrou na contra-mão. Quando ele endireitou o carro e entrou na mão correta, pára um Palio branco ao nosso lado.

- Parados, mãos para o alto, é a polícia!

Eram dois policiais militares à paisana, os populares P2, empunhando pistolas .40 em nossa direção. Até explicarmos que éramos jornalistas, e estávamos ali para cobrir a matéria, foi um bom tempo de pura tensão. Carro descaracterizado, sem crachás ou qualquer tipo de identificação. A sorte foi que um dos policiais reconheceu o colunista do programa de tv que ele tinha na época. Foi um batismo de fogo. Minha mãe, apavorada quando soube, queria que eu desistisse. Foi perigoso, mas eu gostei da sensação de correr atrás da notícia.

O problema é que, na grande maioria das vezes, a gente só conta com a gente mesmo para proteção. As empresas ainda não têm estrutura para proteger seus funcionários em matérias investigativas com maior periculosidade. Então, fica-se entre a cruz e a espada: arriscar mais e conseguir mais informações, ou colocar a segurança em primeiro lugar? Nessas horas, é o bom senso da equipe que tem que prevalecer. Agora, se ele não existir, a possibilidade do jornalista virar notícia é muitro grande.



Escrito por Mário Coelho às 11h22
[ ] [ envie esta mensagem ]


Eu queria ter escrito isso

"Niemeyer prova: Darwin estava errado

Então o grande JÊNHO da arquitetura brasileira projeta um prédio para uma biblioteca, ao custo de R$ 42 milhões para os "cofres públicos" (also known as meu bolso e o seu, leitor otário, mon semblable, mon frère), que simplesmente NÃO PODE ser usado porque é envidraçado -a luz do sol esturricaria coleções inteiras. E eu, que pensava que o Niemeyer só não gostasse de gente habitando as obras dele, vejo que nosso fóssil stalinista também curte brincar de "Fahrenheit 451" com os livros dos outros.

Eis o exemplo vivo de que aquele papo de "sobrevivência dos mais aptos" é totalmente furado, exceto se "mais aptos" = "mais burros". Gente muito inteligente, às vezes, não segura a barra e se mata; os imbecis não só vivem mais como procriam e projetam. And the jerks shall inherit the Earth."

Do blog do Ruy Goiaba: http://www.puragoiaba.apostos.com/. O post foi publicado há quase um mês, em 10 de setembro. Dias antes, a Globo aqui do DF fez uma matéria mostrando que a Biblioteca Nacional, que fica no começo da Esplanada dos Ministérios, não tinha condições de receber qualquer tipo de livro. Como bem disse o Ruy Goiaba, gastou-se milhões em uma obra completamente inútil. Inicialmente, o problema da biblioteca era o acervo. A Secretaria de Cultura daqui não tinha idéia de onde tirar obras para abrigá-las no novo prédio. Isso, por si só, já era um absurdo. Agora, descobre-se que o local não tem condições de receber os livros. Pelo menos a SC tem uma preocupação da menos: não vai quebrar a cabeça tentando montar um acervo para o prédio. Por sinal, uma sugestão: que tal inscrever a biblioteca no Guiness Book, como a instalação com menos livros do mundo? Poderia render uma graninha dos turistas, pelo menos.



Escrito por Mário Coelho às 11h33
[ ] [ envie esta mensagem ]


Pequena pensata

Eu queria morar em Beverly Hills, numa mansão de um milhão e quinhentos mil, canta Wander Wildner em, hum, Eu queria morar em Beverly Hills. Há pouco tempo, nunca fiquei com tanta inveja de uma pessoa. Ela ganhou na Mega-Sena acumulada. Claro que eu não joguei. Mas o sentimento era só por causa da mudança. Pois é isso que eu estou pensando. Gosto muito do que faço, só que tenho me sentido um pouco estagnado. O problema para quem cobre a área de segurança pública aqui no DF é que as opções não existem. Apenas a mesma empresa domina o mercado local. Aí é correr para assessorias. Não sei se é isso que eu quero. Tenho que pensar, muito.



Escrito por Mário Coelho às 11h22
[ ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico
18/05/2008 a 24/05/2008
16/03/2008 a 22/03/2008
09/03/2008 a 15/03/2008
02/03/2008 a 08/03/2008
17/02/2008 a 23/02/2008
10/02/2008 a 16/02/2008
03/02/2008 a 09/02/2008
27/01/2008 a 02/02/2008
13/01/2008 a 19/01/2008
23/12/2007 a 29/12/2007
16/12/2007 a 22/12/2007
09/12/2007 a 15/12/2007
02/12/2007 a 08/12/2007
18/11/2007 a 24/11/2007
11/11/2007 a 17/11/2007
28/10/2007 a 03/11/2007
21/10/2007 a 27/10/2007
07/10/2007 a 13/10/2007
30/09/2007 a 06/10/2007
09/09/2007 a 15/09/2007
26/08/2007 a 01/09/2007
27/05/2007 a 02/06/2007
13/05/2007 a 19/05/2007
18/03/2007 a 24/03/2007
11/03/2007 a 17/03/2007
04/03/2007 a 10/03/2007
18/02/2007 a 24/02/2007
11/02/2007 a 17/02/2007
28/01/2007 a 03/02/2007
31/12/2006 a 06/01/2007
24/12/2006 a 30/12/2006
17/12/2006 a 23/12/2006
03/12/2006 a 09/12/2006
26/11/2006 a 02/12/2006
19/11/2006 a 25/11/2006
12/11/2006 a 18/11/2006
06/08/2006 a 12/08/2006
25/06/2006 a 01/07/2006
18/06/2006 a 24/06/2006
12/03/2006 a 18/03/2006
05/03/2006 a 11/03/2006
19/02/2006 a 25/02/2006
12/02/2006 a 18/02/2006
05/02/2006 a 11/02/2006
15/01/2006 a 21/01/2006
08/01/2006 a 14/01/2006
25/12/2005 a 31/12/2005
11/12/2005 a 17/12/2005
04/12/2005 a 10/12/2005
27/11/2005 a 03/12/2005
20/11/2005 a 26/11/2005
06/11/2005 a 12/11/2005
30/10/2005 a 05/11/2005
23/10/2005 a 29/10/2005
02/10/2005 a 08/10/2005
18/09/2005 a 24/09/2005
04/09/2005 a 10/09/2005
21/08/2005 a 27/08/2005
31/07/2005 a 06/08/2005
24/07/2005 a 30/07/2005
10/07/2005 a 16/07/2005
03/07/2005 a 09/07/2005
26/06/2005 a 02/07/2005
19/06/2005 a 25/06/2005
12/06/2005 a 18/06/2005
05/06/2005 a 11/06/2005
29/05/2005 a 04/06/2005
22/05/2005 a 28/05/2005
08/05/2005 a 14/05/2005
01/05/2005 a 07/05/2005
24/04/2005 a 30/04/2005
17/04/2005 a 23/04/2005
03/04/2005 a 09/04/2005
27/03/2005 a 02/04/2005
27/02/2005 a 05/03/2005
06/02/2005 a 12/02/2005
23/01/2005 a 29/01/2005
16/01/2005 a 22/01/2005
09/01/2005 a 15/01/2005
02/01/2005 a 08/01/2005
12/12/2004 a 18/12/2004
28/11/2004 a 04/12/2004
21/11/2004 a 27/11/2004
14/11/2004 a 20/11/2004
07/11/2004 a 13/11/2004
24/10/2004 a 30/10/2004
17/10/2004 a 23/10/2004




Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 - Fotolog -
 Carlos Damião
 Coisas da Regininha
 De olho na Capital
 É mermo?
 fidèle en moi
 Os filhos da pauta
 Impressão Digital
 Joselitando - totalmente sem-noção
 Lactobacilo morto
 Mau Humor
 Uma nova casa de chá
 Rebote
 repórter u
 O taverneiro
 Tudo sobre nada
 upiara, lado b





O que é isto?