A banda do sargento Pimenta
"I've got to admit it's getting better A little better all the time I have to admit it's getting better It's getting better since you've been mine" Beatles - Gettin' better
Tá nos jornais e nas televisões desde ontem. O 40º aniversário de Sgt. Peppers loney hearts club band marcou o início da fase psicodélica dos Beatles. Ok, jornalistas adoram datas redondas, que possam render bons títulos. Mas não dá para esquecer que a mudança começou um ano antes, com Rubber soul. O fato é que Sgt. Peppers vendeu rodos de discos na Inglaterra e nos Estados Unidos. Até hoje é lembrado pela maneira como a banda conseguiu subverter tudo que o público esperava dela. Não é o meu predileto deles - gosto muito mais do álbum branco -, mas tá logo ali. Por falta de maior inspiração, copio e colo um trecho do que diz a Rolling Stone na edição especial dos 500 melhores discos da história:
"Sgt. Pepper's lonely hearts club band is the most important rock & roll album ever made, an unsurpassed adventure in concept, sound, songwriting, cover art and studio technology by the greatest rock & roll group of all time. From the title song's regal blasts of brass and fuzz guitar to the orchestral seizure and long, dying piano chord at the end of A day in the life, the thirteen tracks on Sgt. Pepper's lonely hearts club band are the pinnacle of the Beatles' eight years as recording artists. John Lennon, Paul McCartney, George Harrison and Ringo Starr were never more fearless and unified in their pursuit of magic and transcendence."
Se eu fizesse um top 5 dos melhores discos de rock da história, ele estaria dentro dessa lista. Apertado aqui no trampo, vamos rapidinho pensar nisso:
1 - London calling - The Clash 2 - White album - Beatles 3 - Nevermind - Nirvana 4 - Let it bleed - Rolling Stones 5 - Sgt. Peppers lonely hearts club band - Beatles
Escrito por Mário Coelho às 15h35
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Bond ou Bauer?
"What does it matter to ya When you got a job to do You gotta do it well You gotta give the other fellow hell" Paul McCartney - Live and let die
A seqüência inicial é em preto em branco. Nada da famosa abertura com Bond, James Bond, atirando no fundo do cano da arma e do tema composto por Marty Norman. A idéia dos produtores em Cassino Royale era recomeçar a franquia, um tanto desgastada depois de todo o excesso dos últimos filmes, onde até carro invisível o agente secreto usou. Como bondmaníaco, achei o filme uma bela porcaria.
Ok, a intenção era mostrar um Bond em formação, sem o requinte encarnado por Sean Connery, sem saber ainda o que é ser um agente 00. O problema é que erraram na mão, feio. Em 1969, quando o próprio Connery não quis mais interpretar o personagem, os produtores Cubby Broccoli e Harry Saltzman escalaram o desconhecido modelo australiano George Lazenby, que tinha sua experiência em atuação resumida a um comercial de chocolate.
Foi um trabalho de apresentação, inclusive com brincadeiras aos filmes anteriores. "Tenho certeza que isso não aconteceu com o outro cara", diz o Bond de Lazenby, após a mocinha fugir dele no momento do beijo. 007 A serviço secreto de Sua Majestade é, provavelmente, o filme mais menosprezado do espião inglês. A história é boa e tem o melhor momento de James Bond: a morte da condessa Tracy di Vicenzo logo depois da cerimônia de casamento dela com o espião. Lazenby conseguiu, apesar da clara inexperiência, fazer o personagem ao seu estilo. Mesmo contra o que determinava o diretor Peter Hunt, que orientava o ator a atuar como Connery.
O filme é mais cadenciado, com poucas cenas de ação se comparado aos anteriores. Talvez fosse a saída para Cassino Royale, onde a escolha foi transformar a fita em um episódio de 24 horas. Na seqüência onde persegue um suspeito pelas ruas de um país africano, é impossível não lembrar de Jack Bauer nos momentos mais agitados do seriado. Especialmente quando ele invade uma embaixada e mata o cidadão na frente da guarda do espaço diplomático. Alguém aí lembra da quarta temporada de 24 horas, quando Bauer invade o consulado chinês e o cônsul morre?
Talvez seja exagero da minha parte, de não querer que a nova fita fizesse uma renovação na série. Pode até ser. Mas um personagem como Bond permaneceu vivo por 40 anos, em diferentes gerações, porque certas regras eram respeitadas. Cadê o "my name is Bond, James Bond", imortalizado na seqüência inicial de O satânico Dr. No? Cadê o "vodka martini, shaken, not stood"? No lugar, cenas de ação inspiradas em 24 horas, especialmente quando Bond é torturado por Le Chiffre, o vilão (?) de Cassino Royale.
Eu poderia entregar o final aqui, já que os poucos leitores desse espaço provavelmente não dão à mínima para 007. Bond apaixanado por uma mulher, considerando largar o serviço? Agora virou Ethan Hunt, de Missão impossível? São muitas questões para não se ter resposta até agora. Tenho que ler o livro imediatamente, colocá-lo em cima na pilha de leituras pendentes. E aí fazer uma comparação melhor. Como filme da série 007, Cassino Royale é um episódio mediano de 24 horas.
Que fique claro: como exercício de cinema, Cassino Royale é bem feito. As cenas de ação são bem coordenadas - apesar de em alguns momentos o dublê de Daniel Craig ficar exposto -, os efeitos são criativos e Eva Green vai bem como a dúbia bond girl. Para um filme de ação, sem os outros 20 filmes da série, talvez funcionasse. O problema foi tentar recomeçar para apagar tudo o que deu certo por quase 50 anos.
Escrito por Mário Coelho às 14h42
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