A cidade dos exageros
"As ruas têm cheiro de gasolina e óleo diesel Por toda plataforma, toda a plataforma Por toda a plataforma você não vê a torre..." Capital Inicial - Música urbana
Na revista Veja desta semana, uma frase do deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) deixou os brasilienses indignados. Ao menos o povo da redação, que deu um destaque enorme para o que o defensor da cannabis sativa havia dito. Uma página para criticar o parlamentar. Deram um espaço para um artigo dele justicando o que tinha falado à Playboy, que chega as bancas em fevereiro. Ele disse que, na noite de Brasília, só tem prostituta, lobista e deputado. Pra mim, não está longe da verdade. E é necessário olhar pela ótica de um congressista. O público dos bares e restaurantes que eles costumam ir é formado quase que totalmente pelas essas três "categorias". A semanal destacou o trecho, na seção de frases, antes mesmo da revista masculina ser lançada.
O que não deixa de me surpreender é essa defesa veemente da cidade. Será que realmente o povo sabia da declaração do Gabeira? Acho que não. Provavelmente nem muitos dos colegas jornalistas sabiam que ele tinha dito. Apenas nós demos espaço para isso. Criticar Brasília é quase que um privilégio aos moradores da cidade. E, mesmo assim, em doses homeopáticas. O pior é que a suíte da história coube a mim, que não daria uma única linha. Tive que participar de uma coletiva onde Gabeira e o governador do DF, José Roberto Arruda, falaram sobre o caso. "Dei uma penitência à ele", disse, em tom de brincadeira, Arruda.
Outro que nunca pode ser criticado é Oscar Niemeyer. Criador dos prédios e de alguns monumentos da cidade, sua arquitetura não pode ser contestada. E, para quem entende um pouco disso, sabe que nada do que o carioca faz é funcional. Peguem como exemplo o Memorial da América Latina: um monte de concreto no meio de São Paulo. A escola modernista acredita que o verde atrapalha a arquitetura. Por conta disso, o Memorial, no verão, é um lugar mais inóspito que o deserto do Saara. O prédio do Congresso é bonito por fora, mas por dentro um suplício para se deslocar.
Escrito por Mário Coelho às 16h13
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