Se eu ganhasse um real
"Beneath the stains of time The feelings disappear You are someone else I am still right here" Johnny Cash - Hurt
A imagem de quem não conhece Brasília é invariavelmente a mesma: cidade de corruptos e de corrupção; de clima hostil e de pessoas mal-educadas. Por conta disso, a pergunta que eu ouço é repetida à exaustão. "E aí, como está lá em Brasília?" Depois de um "tudo bem", tento elaborar um pouco. Faço um nariz de cera, digo que no começo a adaptação foi muito difícil. Que se acostumar com as duas estações definidas e completamente diferentes do que eu vivia em Florianópolis levou um bom tempo. E que se não fosse pelos meus amigos eu provavelmente não moraria ainda lá. Poderia dizer ainda mais um bocado de coisas, mas prefiro não elaborar. É bom deixar um certo ar de mistério, aquela dúvida batendo na cabeça. Será que um dia eu volto para a ilha da magia?
Eu nem tenho a resposta. Já disse aqui que num futuro não muito próximo voltarei a Santa Catarina. Sabe, eu nem tenho pensado nisso ultimamente. Bom, pelo menos desde que minhas férias acabaram. Em condições normais, eu seria louco de trocar Brasília por Florianópolis. Profissionalmente, tenho muito mais possibilidades de crescer por lá do que por aqui (estou na capital dos catarinenses novamente. Desta vez, recesso de natal). Quando eu vejo os jornais daqui, com uma rara exceção, fico envergonhado até. Além disso, os salários só valem a pena para quem mora com os pais, não paga aluguel nem tem filhos para criar. Nas férias, confesso, titubeei. Cheguei a cogitar uma vinda mais cedo pra cá. E, claro, não seria por motivo profissional. Também não seria por causa da minha família.
Ao deixar o tempo resolver a questão, percebi que seria a pior escolha que poderia fazer. A gente sempre descobre as coisas da pior maneira. Assim voltei a ser o Mário de sempre. Aquele que sempre vai colocar o trabalho acima de tudo. O disco do Pink Floyd diz tudo: A momentary lapse of reason. Não que tudo tenha desaparecido; não, não. Depois de 20 dias de férias, a volta à realidade. Um choque, descobertas e revelações em três semanas. Ironias que julgava não aparecerem na minha frente. Aí chega o momento de voltar, de passar o recesso de natal com a família. Após ficar completamente estressado após várias confusões no aeroporto de Brasília, pouso em Florianópolis. Acendo um cigarro no carro da minha irmã e começo a pensar no que devo (ou não) fazer. A angústia bate. "Quando chegares lá, deves decidir o que vais fazer", aconselham dois amigos.
A dúvida permanece por mais algumas horas. Umas cervejas na companhia de um amigo ajudaram a clarear o caminho. Não há nada o que fazer, na verdade. Eu não queria ver o que estava bem na minha frente. Não queria aceitar que a mão de cartas não me favorecia. Junto com a depressão natalina que sinto desde 1994, era mais um motivo para quase não sair de casa, evitar lugares públicos, curtir o presente da minha irmã e aproveitar um pouco da família. Atualizar o blog, gravar algumas músicas e preparar o set para a festinha "véspera da véspera", na Landscape. Ok, acho que fugi demais, divaguei muito. Não era bem isso que eu queria escrever...
O fato é que, apesar de Brasília concentrar a imagem de corrupção que está presente nas maiores e menores cidades do país, do clima hostil e das pessoas nem tão legais, eu vivo bem no planalto central. Bom emprego, ótimos amigos. Para quem morou um ano e dez meses em uma pousada da avenida W3 Sul, a prova maior de que o meu lugar hoje é lá é o meu apartamento. Não, não comprei, aluguei. Fim da Asa Norte, pertinho da Landscape e com um Giraffas bem próximo. Ao mesmo tempo que perdi toda a "movimentação" que tinha na pensão, ganhei em privacidade e conforto. Um canto para chamar de meu. Para receber meus amigos. Para ver filmes do 007 na televisão e no aparelho de DVD recém comprados. Para ouvir Johnny Cash e She Wants Revange a qualquer hora que eu queira. Para ficar feliz quando compro uma tábua de passar roupa. Para pensar nas cortinas. Para ficar na varanda fumando um Malboro e tomando um café. Pra pensar que meu passado foi pra nunca mais.
Escrito por Mário Coelho às 04h49
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Boas festas
Ele nunca deveria ter feito essa música. É brega, ingênua e colocou mais uma mancha na sua carreira pós Beatles. Mas como uma matéria no número dois da revista piauí bem colocou, John Lennon sem Paul Mccartney - e vice-versa - não funciona. Tanto que o grande disco de carreira solo de um ex-beatle foi justamente All things must pass, do George Harrison. Ok, mesmo assim coloco a letra aqui como forma de desejar um feliz Natal e um ótimo 2007 para todos que passam por aqui eventualmente.
Merry Christmas (war is over)
So this is Christmas And what have you done Another year over And a new one just begun And so this is Christmas I hope you have fun The near and the dear ones The old and the young
A very merry Christmas And a happy New Year Let's hope it's a good one Without any fear
And so this is Christmas (War is over) For weak and for strong (If you want it) For rich and the poor ones (War is over) The world is so wrong (Now) And so Happy Christmas (War is over) For black and for white (If you want it) For yellow and red ones (War is over) Let's stop all the fight (Now)
A very merry Christmas And a happy New Year Let's hope it's a good one Without any fear
So this is Christmas (War is over) And what have we done (If you want it) Another year over (War is over) And a new one just begun (Now) And so Happy Christmas (War is over) We hope you have fun (If you want it) The near and the dear one (War is over) The old and the young (Now)
A very merry Christmas And a happy New Year Let's hope it's a good one Without any fear
War is over if you want it War is over now
Escrito por Mário Coelho às 00h09
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