Da ilha formosa
"Sometimes you want to go Where everybody knows your name, And they're always glad you came; You want to be where you can see, Our troubles are all the same; You want to be where everybody knows your name" Cheers theme - Where everybody knows your name
Entre idas e vindas, são mais de dois anos fora de casa, de Florianópolis. Hoje é fácil reconhecer que saí daqui pelos motivos errados, que tentei fugir de problemas que eu mesmo tinha criado. Eles acabaram resolvidos, mas não da maneira correta; o tempo se encarregou de terminar o que eu não tive coragem para fazer. Por essa fuga, eu acabei pagando em São Paulo. Sem maturidade para enfrentar a maior cidade do país, maravilhado com todas as novidades da metrópole, a carreira não deu certo. Se é verdade que Deus escreve por linhas tortas (lugar comum), a prova é que há quase dois anos, me estabeleci em Brasília.
Lá conheci pessoas fantásticas, que me mostraram que a capital do Brasil não é exatamente da maneira que as pessoas pintam. É possível sim encontrar calor humano (chavão), esquinas, diversão. E um ambiente propício para a minha profissão. Se algum dia tive dúvidas que realmente estou no lugar certo, fazendo a coisa certa, ela terminou lá. Começou com a passagem pela sucursal do jornal mineiro Hoje em Dia. E continua no Correio Braziliense, onde trabalho há um ano e quatro meses. Como o tempo passa rápido! Caramba.
Nessa rapidez, pela primeira vez volto a Florianópolis para passar um período maior. Vinte dias das minhas férias! Reencontrar tudo aquilo que tenho saudade: minha mãe, minha irmã, os familiares mais próximos, os amigos, a videolocadora e a cafeteria prediletos (ainda não encontrei substitutos em Brasília). Sem programas de turista, ok? Vamos deixar claro que praia nunca esteve entre os meus programas prediletos na Ilha de Santa Catarina. Redescobri o sotaque de manezinho da ilha; achava que isso estava restrito à pouquíssimas pessoas. Não, ele ainda vive! "I got my own way of talkin', but everything is done, with a southern accent. Where I come from", canta Johnny Cash em Southern accents.
A simpatia das pessoas, o hábito de dizer bom dia, do funcionário da loja de discos peguntar como estão as coisas em Brasília, o sol em Santo Antônio de Lisboa, o sorriso da menina certa (será?); tudo isso eu tinha esquecido. Vou levar tudo isso comigo de volta ao planalto central. Calma Mário, ainda faltam 12 dias para terminar as férias. E você aprendeu a gostar de Brasília, também sente saudades de lá. Das avenidas largas, de passar pela Esplanada dos Ministérios de madrugada (e ver como a cidade é majestosa), da Landscape, do seu apartamento sem televisão, dos discos e livros, daqueles que mostraram o outro lado da cidade. Cada vez mais dividido, sigo meu caminho. Com a certeza de que um dia voltarei a Santa Catarina, mas que isso está num futuro não muito próximo.
Escrito por Mário Coelho às 09h09
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