Sintonia
"Em Let it bleed você pode encontrar todos os papéis que os Rolling Stones já encarnaram - garanhões fanfarrões, criminosos rebeldes, donos de harém, cavaleiros da vida acelerada -, uma década de poses. Mas no começo e no fim existe uma abertura para os anos 70 - mais difícil de engolir, um vinho bem mais forte. You can't always get what you want ecoa em Gimme shelter; essas canções não pretendem mais dominar as pessoas, mas buscam um domínio incerto sobre as situações bem mais desesperadas que os anos por vir estão prestes a impor."
Lester Bangs quem? Não, Greil Marcus é o cara. Crítico bom é aquele que simpatizamos e compartilhamos as mesmas opiniões. Em A última transmissão, lançado há pouco tempo pela Conrad, Marcus escreveu tudo aquilo que eu gostaria de ter expressado sobre dois dos meus discos prediletos. Se consegue resumir e pensar Let it bleed como no trecho acima escrito, dá um parâmetro que eu nunca tinha pensado sobre London calling, do The Clash. Crítico de rock'n'roll verdadeiro é assim. Sabe muito bem do que está falando, pesquisa, entende de música, consegue ver a cena completa, e não apenas um recorte da vida real. Se todos fossem assim, ou pelo menos tentassem, a música seria muito mais divertida.
Escrito por Mário Coelho às 12h11
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