Mars volta
"It's been a long time since I rock and rolled, It's been a long time since I did the stroll. Ooh, let me get it back, let me get it back, Let me get it back, baby, where I come from" Led Zeppelin - Rock and roll
Não vou colocar a culpa na falta de tempo, nem na falta de assuntos para escrever. Desde o último post, em 17 de março, parece que, numa solução proporcionada por algum produto Tabajara, meus problemas acabaram. Se uma úlcera estava a caminho pelo stress causado pela editoria de Cidades, o tempo passado em Política me deixou muito mais tranqüilo. É isso mesmo, fui transferido para a cobertura de política local. Um reforço, como disseram. Minha antiga editora me chamou para uma conversa. E eu tremi, achando que era mais uma bronca. Daquelas que você pensa o que poderia ter deixado de fazer ou fez errado. Nada. Sorridente, ela me pergunta se eu quero ir para política - como empréstimo, ressalta - até as eleições, para cobertura local. A situação era delicada. Se eu demonstrasse muito entusiasmo, poderia parecer que estava usando a editoria apenas como uma ponte para promoção. Se fosse muito blasé, mostraria uma indisposição para mudar de ares.
Apelei para "sim, quero, mas tem que ver o que for melhor para editoria". "Não Mário", ela devolve, "é uma decisão sua". Naquele momento pareceu que bastava eu dizer sim que a vaga era minha. Era o meu nome entre três. Ela diz as qualidades que acredita que fizeram o comando da redação me escolher e fala que o editor de Política vai me chamar para uma conversa. O papo não acontece. No dia seguinte a gente tromba na entrada do prédio e aquela quarta-feira, dia 26 de abril, passou a ser o meu primeiro dia na editoria de política. A cobertura tem sido divertida. É lógico que política é outro ritmo. Alterna momentos de puro stress com absolutamente nada para fazer. Tenho buscado sair um pouco mais da cobertura diária, do factual, e procurado cavar matérias diferentes. Acertei em algumas, errei em uma, feio. Serviu de aprendizado. Um dia ruim e uma apuração capenga resultaram numa matéria fraca. Tive o apoio do coordenador, isso ajudou.
Se a vida profissional anda bem, na pessoal não posso reclamar. Apesar do namoro com R. não ter dado certo, foi melhor do que arrastar a situação por mais tempo e deixar as coisas piores ainda. Um dia, por ter falado os motivos que me fizeram acabar com R., uma amiga disse que sou muito radical. Pode até ser verdade, mas eu não tenho paciência para meninas que não tenham um gosto parecido com o meu em cinema, música e literatura. Agora, vivo numa canção de Odair José. Um pimp total.
Pornô Por incrível que pareça, com a mudança de editoria meu tempo de leitura aumentou. Nas últimas semanas consegui devorar alguns livros. Pornô, continuação do fantástico Trainspotting, de Irvine Welsh, traz os mesmos malacos dez anos depois, tentando entrar no mercado de filmes pornôs. Frankie Bebgie sai da prisão, Sick Boy aspira várias carreiras e cocaína e tenta mudar a cara do Leith, Spud o mesmo bichano de sempre e Rent Boy dono de uma famosa boate em Amsterdã. Febre de bola, o primeiro de Nick Hornby, é um bom livro, mostra que literatura pop é com ele mesmo. Desde que não envolva futebol. A sua paixão pelo Arsenal é uma coisa insuportável. E escrever apenas duas páginas sobre o racismo no futebol inglês me pareceu muito pouco. Além do mais, ele disse que isso estava acabando. Era 1992. Não é o que vemos hoje, muito pelo contrário. Já Uma longa queda, seu último livro, é fantástico. Quatro narradores, influências pop divididas entre as especificidades de cada personagem.
Escrito por Mário Coelho às 21h35
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