Depois da tempestade
"E todo dia é colorido E eu não vou nem me preocupar Se tudo vem na hora certa Não quero tempo pra contar..." Pipodélica - Abre a porta (versão do "Volume 4")
- Uma palavra define meus últimos 20 dias: correria. Não pensei que fosse agüentar. Três semanas trabalhando direto, sem folgas, com dois plantões problemáticos. Quando olho no relógio e vejo que já passou das 19h de domingo, dá uma preguiça danada. Precisava descansar pelo menos mais um dia. Tenho folga pendente do plantão da semana retrasada, mas tá difícil negociar. A equipe está desfalcada. É neguinho que saiu do jornal, pessoas de férias. Parece que no decorrer dessa semana a escala vai ser regularizada. Sexta-feira mesmo foi crítica: matéria de aposta, ronda policial, e cinco repórteres tentando fazer o trabalho de 15. Apesar de reclamar um pouco, eu gosto. Minha cabeça já estava fritando, não conseguia raciocionar direito, trabalhando quase no modo automático. Mas enfim, vida de jornalista é assim mesmo. Trabalho, trabalho e trabalho. - O plantão de carnaval foi super tranqüilo. Sábado numa matéria sobre um senhor que foi enganado por uma médica de São Paulo. Ele teve um AVC há oito anos. Como seqüela, perdeu os movimentos em todo o lado direito do corpo. A médica prometia a cura por um tratamento com células-tronco. Fui até Planaltina DF, distante 30 minutos de Brasília. Um senhor lúcido e inteligente que caiu no golpe por desespero. "Eu vi a luz no fim do túnel. Só que a gente não sabe o que tem lá no fundo. Pode ser uma cobra querendo te picar. Foi isso que aconteceu comigo", ele me disse. É terrível ver pessoas como ele serem ludibriadas por uma "profissional" que deveria resguardar da nossa saúde. - No domingo, desfile das escolas de samba de Brasília. Ao chegar em casa, uma lasanha esperando. Bom, muito bom. A segunda-feira foi só para escrever. Terça-feira dia de ronda policial. "A paz reina do Distrito Federal", diz uma tenente do Centro de Informações da PM. Matéria sobre o Rebanhão (encontro de católicos no ginásio Nilson Nelson, que juntou cerca de 50 mil pessoas em três dias). À noite, a turma foi prestigiar uma colega que desfilou pela Mocidade Independente do Gama. Divertido demais. - Ontem não agüentei. Dia de compras na FNAC enquanto esperava meu carro ser lavado. "Mutantes e seus cometas no país dos Baurets", dos Mutantes; "Combat rock", do The Clash; "Bubblegum", do Mark Lanegan; e "Sempre que eu fico feliz eu bebo", do Gramofocas, foram os discos. Claro, tive que comprar uns livros também. "Misto-quente", do Charles Bukowski; "Reações psicóticas", do Lester Bangs; e "A rosa de Alexandria", do Manuel Vázquez Montalbán. Quero ver tempo para ler e ouvir isso tudo, do jeito que as coisas estão corridas.
Escrito por Mário Coelho às 18h28
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