Vendo o tempo passar
As horas parecem passar mais devagar no plantão. Já conversei com amigos de Florianópolis e São Paulo por telefone e pela internet, já li tudo quanto é blog e agência de notícia. Ainda tenho mais 40 minutos para poder ir embora. O dia foi fraco de polícia, e essa é a função principal de quem entra em últimas: monitorar todas as ocorrências policiais. Nem que seja para deixar um relatório para o dia seguinte. Agora passa o editor-executivo, pergunta se tem alguma coisa. Digo que não. Ele faz menção de ir embora, tira o fone de seu iPod Nano da orelha esquerda e pergunta se eu gostei do novo disco do Strokes. Caramba, taí uma pergunta que eu não esperava. Ele diz que ainda não se acostumou. Acha que eles estão tentando sair da caixa que viviam dentro, que ainda estão procurando o que a banda vai ser no futuro. Eu gostei e pronto, não tenho muito argumentos para defender isso. Principalmente por considerar que música você gosta com o coração, não deve ser um processo racional. Voltando à idéia inicial do post, estava sem nada pra fazer. Decidi vasculhar os arquivos que só eu tenho acesso do meu antigo blog. Achei umas coisas interessantes. E, de relance, vi que mudei muito nos últimos três anos. Pincei três posts, só não achei um top 5 músicas de amor. devo ter feito quando tinha um blogger.com.br, que há muito tempo é para apenas assinantes do Globo.com.
"8/8/2003 Copy press
Você conhece a Clarah?* Tem o link do blog dela logo aí em cima. Agora ela escreve lá bem de vez em quando, mais ou menos como é a periodicidade do Cabron. Mas ela é mãe agora, e por mais que tentemos nos desculpar pelos atrasos do e-zine, nada pode se comparar a isso. Então, chega de nariz de cera. Lendo o blog dela, li um texto e coloco um trecho aqui. Muito bom.
"Eu não sei viver no mundo dessa gente louca que trabalha e não vive, trabalha e não lê, não ouve música, não trepa, não vai ao cinema nem sai pra encher a cara. Não fazem nada, como conseguem viver? Do que eles se alimentam? Deve ser por isso que as pessoas parecem tão desinteressantes de perto, bem de pertinho. Elas estão ocas.
O mundo está cada vez mais oco.
Por isso cada vez mais essa obsessão pela forma.
É um círculo vicioso, piora todos os dias, a cada volta que a terra dá tem mais gente nascendo, gente que poderia botar um durepóxi na alma da humanidade e que vai acabar oca, de plástico, que nem o resto."
Pode ser minha impressão, mas os últimos textos do Vitor estão cada vez mais com essa ótica. Tem esse trecho aqui, de Sobre Criadores e Criaturas, publicado na edição 27 do Cabron.
"Porque nós vamos morrer, mas não queremos seguir o script de nosso criador; então vamos desafiar a natureza mesmo sendo parte dela. Mesmo que a destruição do meio ambiente signifique realmente nossa própria aniquilação. Pois se a mãe natureza nos fez para matar e morrer, devia esperar que escolhêssemos nossa própria morte. Devia saber que asfaltaríamos a Amazônia e mijaríamos em todas as ruas em que caminhamos. Pois se a morte é inevitável, vamos matar a morte, nem que isso signifique acabar com a vida."
Faz sentido ou estou meio louco pela hora que esse post está entrando no ar?
Trilha sonora do post: quando duas das melhores bandas desse mundão de meu Deus se juntam: Los Hermanos - Last Nite.mp3
24/6/2003
Agora a que sai na edição do próximo fim de semana**. Ela está imperfeita ainda, fiz ontem à tarde no jornal, mas pouca coisa deve mudar, a começar pelo título.
Retratos de épocas definem o Los Hermanos
Tem duas coisas que os Los Hermanos não gostam de falar: uma é sobre a evolução e diferença entre os três discos da banda. A outra são os rótulos que a imprensa costuma dar aos cariocas. Mas eles até se divertem com alguns adjetivos que receberam, principalmente depois do recém lançado “Ventura”. “Isso é uma coisa que não existe na nossa cabeça”, comenta o tecladista Bruno Medina. Uns críticos afirmam que “Ventura” é um meio termo entre o primeiro e o segundo álbum, “Los Hermanos” e “Bloco do Eu Sozinho”, respectivamente. “O que se diz a gente ouve e respeita, mas na nossa cabeça não fazemos essa divisão”, completa.
Quanto à evolução, o guitarrista e vocalista Marcelo Camelo diz que cada álbum é um retrato de uma época do grupo, de momentos pessoais e íntimos que os quatro integrantes passaram nos últimos cinco anos. “Não dá para dizer que nós dizermos que evoluímos, isso é trabalho para a imprensa. Cada momento passado é um passo à frente.” Mas Camelo, não se pode fazer nenhuma comparação? “Nós vimos que certas coisas não estavam certas, e fomos corrigindo os erros. Você, com certeza, após essa entrevista, verá onde acertou e errou. Nas próximas, você não será mais o mesmo”, completa. Ok Camelo, você venceu.
Então falemos da nova gravadora. O Los Hermanos foi uma das sete bandas que, após o fechamento da Abril Music, migrou para a BMG. Rodrigo Amarante, guitarrista e vocalista, pede a palavra. Fale Amarante: “A BMG nos contratou porque gosta do nosso trabalho. Todo o processo foi muito saudável. Mas ainda é cedo para fazer uma análise maior”. Uma amostra foi a escolha da primeira música de trabalho, Cara Estranho. “Eles investiram muito no videoclipe. E não estão pressionando para escolhermos a próxima”, diz Medina. Mas os fãs inclusive já estão fazendo enquetes para saber qual seria a próxima. Amarante então pergunta ao escriba, entusiasmado com os fãs e brincando com um copo de plástico: “O que eles falaram?”. Último Romance, O Velho e o Moço e Samba a Dois. “Cara, que massa.” Faltou o Rodrigo Barba falar. “Eu sou quieto mesmo.” Não poderia ter melhor final.
29/07/2002
At last but not least, as:
Top 5 break up songs
1º Crying In The Rain - A-ha 2º Quando - Roberto Carlos 3º Dead Flowers - Rolling Stones 4º I Heard It Through The Grapevine - Creedance Clearwater Revival (original de Marvin Gaye) 5º I Will Survive - Cake (versão original de Gloria Gaynor)"
A que mais mostra a evolução, digamos assim, é a lista. Depois de ter tomado um baita dum fora de uma menininha meiga - minha sina -, ouvia as coisas mais esdrúxulas que via pela frente. Podem perceber, nunca que colocaria o Ah-a na lista hoje, apesar da letra ser bem forte. De bate-pronto, Slow hands, do Interpol, entraria fácil. Das cinco, manteria apenas Dead flowers. Taí um motivo para um novo post. Era engraçado também que eu tinha sido recém convertido ao Los Hermanos. Eles dominavam o blog na época. Ah, a juventude...
* A escritora Clarah Averbuck, que tinha o blog brazileira preta!. ** O post anterior no blog era uma matéria sobre o show do Los Hermanos que aconteceria naquele dia
Escrito por Mário Coelho às 23h44
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