Eu e meus plantões
I'm on a roll, I'm on a roll this time I feel my luck could change Radiohead - Lucky
Planos são feitos para serem seguidos, certo? Errado. Pelo menos no jornalismo não. Eu já esperava que, com a minha sorte e o fato de não saber dizer não, eu iria pegar a pior parte do plantão. Ou seja, a cobertura de reveillon. Pegar personagens nos locais de festa, movimento, esse tipo de coisa. Então me planejei para que todos meus programas formariam um sanduíche com a cobertura. No começo, parecia que as coisas iam andar. O carro ficou pronto hoje, tava feliz da vida. Trouxe uma garrafa de Absolut para que a diretoria degustasse na festinha no Lago Sul. Tinha preparado uns CDs para o tempinho que fosse discotecar.
Na quarta-feira, enquanto esperava meu vôo na sala de espera do aeroporto de Florianópolis, recebo uma ligação do jornal. Perguntavam se eu ficaria em últimas no dia seguinte. É claro que sim. Chegaria cansado da viagem, e só teria que trabalhar a partir das 17 horas do dia seguinte. Ou seja: tempo suficiente para dormir e descansar. Estava feito. Só que uma frase me deixou encucado: "Ah, hum, tem mais coisa. Mas eu te falo amanhã, quando chegares". Não me falaram nada, é claro. Mas um e-mail esclarecia as coisas. Eu estava escalado para a "cobertura da virada". Uma vantagem eu teria: poderia chegar mais tarde no domingo. Beleza.
É óbvio que as coisas iriam mudar. Já que a maior festa daqui, que acontece na Esplanada dos Ministérios, com show de fogos e várias bandas tocando, foi cancelada, decidiram ampliar a cobertura. Então pegaram duas repórteres e as colocaram para o que eu ia fazer antes, e me mandaram para a Chapada dos Veadeiros, local predileto dos neo-hippies que infestam o mundo. Damn! Todos meus planos, feitos 24 horas antes, foram esmagados sem cerimônias. Daqui a 14 horas, eu e um fotógrafo boa-praça estaremos a caminho da cidade. Armados com uma quantidade razoável de bebidas, vamos fazer o melhor. Ele está empolgadíssimo para ir; eu, extremamente chateado. Agora, quem sabe a sorte não vira?
Pelo meu signo de amanhã, não sei. "Como anda sua rede de contatos? Há alguns furos nela? Remende já! E o que é aquilo? Cacarecos, coisas inúteis presas e tornando tudo mais pesado? Livre-se desses excessos que puxam pra baixo e não deixam seu balão subir. Para que isso aconteça, você vai, sim, ter que partir pra ação, mesmo que seu primeiro impulso seja ficar agarrado à velha pedra..." Amanhã eu penso melhor. Porque agora eu só quero comprar um lanche e dormir. Amanhã será um longo dia.
Escrito por Mário Coelho às 19h41
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Uma lista
Eu vou fazer uma lista à Rob Flemming, personagem de Alta fidelidade, livro do Nick Hornby. Mas não hoje. Vou simplesmente aproveitar essa lista que o amigo Upiara Boschi fez tempos atrás, para a edição número 28 do finado fanzine Cabron.
As 21 músicas mais desesperadas do pop-rock nacional, segundo eu.
A flor (Los Hermanos – Bloco do eu sozinho)
Nenhum sofrimento é um verdadeiro sofrimento se não for por amor. E em A Flor, a banda Los Hermanos mostra um dos maiores sofrimentos possíveis: a amada com outro por causa de uma besteira sua. Ë triste, dói ver que minha flor lhe deu alguém pra amar. Você assim e eu por final sem meu lugar. E fiz de tudo pra você perceber que era eu...
A vida é doce (Lobão – A vida é doce)
Uma música em que a frase “me perdoa, a vida é doce” é repetida várias vezes merece figurar numa lista como essa. Além de redimir boa parte da carreira anterior de Lobão, A vida é doce dá a dimensão da impotência e do desespero absoluto. “São novamente quatro horas, eu ouço lixo no futuro do presente que tritura as sirenes que se atrasam pra salvar atropelados que morreram, que fugiram, que perderam, que viveram depressa demais”.
Azedume (Los Hermanos – Los Hermanos)
Bastaria transcrever a letra da música. Mas no fundo não bastaria. Porque tem que se ouvir Marcelo Camelo gritando “tira essa azedume do meu peito e com respeito trate a minha dor”. A música lembra um samba-canção furiosamente cantado por uma banda hardcore com sopros. Mistura mais Los Hermanos impossível.
Bater à porta (Picassos Falsos)
“Ligo a tevê, ligo o rádio, ligo mas não me ligo em nada, estou mudo. Fico parado esperando, quem sabe, o rápido ruído de alguém como você bater à porta”. É impressionante que uma banda como os Picassos Falsos seja tão pouco comentada hoje em dia.
Chorando no campo (Lobão)
Mais um exemplo de desespero impotente. “Pela estrada enquanto eu passo, o cinema é só ilusão. Vou chorando pelo campo no meio do temporal.”A imagem é perfeita. E a canção é uma das mais belas do Lobão.
Escrito por Mário Coelho às 20h03
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Colégio interno (Graforréia Xilarmônica – Chapinhas de ouro)
A situação é das mais patéticas: a mulher foi embora e deixou o filho do casal. Foi difícil chegar a uma solução: “suas cartas já rasguei, as suas roupas doarei, só o nosso filho ainda não sei o que vou fazer (...) acaba de vez com esse inferno, bota o guri no colégio interno”.
Down em mim (Barão Vermelho – Barão Vermelho) Ele não sabe o que seu corpo abriga nessas noites quentes de verão. E nem lhe importa que mil raios partam qualquer sentido vago de razão. Ele está mal, mas vai se esquecer pois nessas horas pega mal sofrer. Da privada ele vai dar com sua cara de panaca pintada no espelho e se lembrar sorrindo que o banheiro é a igreja de todos os bêbados. É triste, mas é um dos melhores momentos do Barão Vermelho e de seu antigo vocalista e letrista, Cazuza.
Escrito por Mário Coelho às 20h03
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Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo (Wander Wildner – Baladas Sangrentas)
Wander Wildner parece um bêbado sentimental. E não faz a menor questão de mudar essa imagem. Principalmente quando canta “eu tenho uma camiseta escrita eu te amo. Parece uma grande bobagem mas é o que eu sinto quando estou voando. Eu fico pelado no quarto vendo a sua foto. Parece uma grande bobagem mas é o que eu faço quando estou de porre”.
Mal nenhum (Cazuza e Lobão)
Uma grande parceria entre os dois maiores letristas dos rock brasileiro nos anos 80. Podem deixa-los em paz. Podem deixa-los acuados por um inimigo imaginário, correndo atrás dos carros como um cachorro otário. Deixem que eles quebrem objetos inúteis como quem leva uma porrada. Deixem que amolem e esmurrem a faca cega da paixão e que dêem tiros a esmo ferindo o próprio cego coração. Não escondam as crianças nem chamem o síndico porque eles não podem causar mal nenhum. A não ser a eles mesmos.
Minha vizinha (Wander Wildner – Buenos dias!)
É triste a angústia do homem que mora sozinho, num apartamento no sétimo andar de um prédio pulguento e à noite ouve vozes que vêm da parede e logo percebe: é a vizinha gostosa que acorda com sede. Ele a ama através daquela parede, não tem o que fazer além de imaginar. “Eu quero ficar preso contigo no elevador”.
Miss Lexotan 6mg (Júpiter Maçã – A sétima efervescência)
Música sobre uma moça que abusa dos comprimidos para dormir. Ela tem motivos. Ela não consegue relaxar, não consegue ao menos dormir. Ela é tensa por que seu amor não mora em São Paulo, Porto Alegre ou qualquer outro lugar. Teme que já jamais conheça um carinha que vá comê-la estando apaixonado. Freqüenta assiduamente um tempo hare-krishna mas mesmo assim ela não fica leve. Só quando toma os comprimidos.
Não me bata outra vez com essa mesma corrente suja de sangue (de Brites & Os cães leprosos)
São lendárias no interior paulista as apresentações desta obscura banda da cidade de Mirassol. Essa música é o ponto alto do show, quando o baterista Vitor de Brites assume o vocal e grita acompanhado por todos o público presente a complexa letra da canção (a palavra “não” berrada 36 vezes, das maneiras mais diversas) com um instrumental pesado e esquizofrênico. Inesquecível. Indescritível.
Ninguém (Pato Fu – Ruído Rosa)
Desespero solitário. “Sem incomodar ninguém, nem me fazer notar, volto ao mesmo lugar. Vou esperar ninguém, ninguém, ninguém...”. É estranho que seja o Pato Fu que cante isso.
O meu refrigerador não funciona (Os Mutantes) Não é o que diz. É o jeito de dizer. “O meu refrigerador não funciona. Eu já tentei de tudo. Não funciona, não funciona...”. É como se tivesse perdido alguém ou algo muito importante. E é... experimente ficar sem geladeira por uma semana.
Escrito por Mário Coelho às 20h02
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Quase um segundo (Os Paralamas do Sucesso)
Não existes sujeitos mais desesperados que os que telefonam de madrugada. Nós aqui do Cabron temos um amigo que bebe e costuma ligar pros outros às quatro, cinco da manhã. É patético e até engraçado, mas na hora é triste. Por isso entendemos Herbert Vianna quando diz: “eu tive um sonho ruim e acordei chorando, por isso eu te liguei. Será que você ainda pensa em mim?”
Quem sabe (Los Hermanos – Los Hermanos)
Quem sabe o que é ter e perder alguém? Quem sabe o que ver quem se quer partir e não ter pra onde ir? Com certeza, a banda Los Hermanos é especialista nisso.
Refrão de bolero (Engenheiros do Hawaii)
Eu sei que não pega bem falar de Engenheiros do Hawaii. Ainda mais de forma positiva. Mas como evitar, se ele falou sem pensar, e agora se arrepende, roendo as unhas (frágeis testemunhas de um crime sem perdão). Ele falou sem pensar e agora está com o coração na mão, como o refrão de um bolero. Coitado, foi sincero como não se pode ser. E esse erro tão vulgar o persegue a noite inteira e quando acabar a bebedeira ele vai estar num bar, com vinho barato, um cigarro no cinzeiro e uma cara embriagada no espelho do banheiro gritando por Ana. Esse cara está desesperado e merece estar na lista. Desculpem qualquer coisa.
Sentimental (Los Hermanos – Bloco do eu sozinho)
No final de 2001, no Cabron nº 9, eu escolhi o Bloco do Eu Sozinho o melhor disco do ano. Na resenha comentava que Sentimental era a mais melancólica, mais desesperada, mais impotente canção do disco e talvez de todo o rock brasileiro. E foi por causa desse comentário que eu pensei em fazer esta seleção. Levou tanto tempo porque tinha que ouvir várias músicas, diferenciar desespero de simples tristeza ou melancolia. Não foi um trabalho fácil. É preciso falar de Sentimental? Poxa, eu não sei dizer porque ela me toca tanto. Se é parte do “quem é mais sentimental que eu?”. Ou se é quando constata que ela é mais sentimental, então fica bem se ele sofre um pouco mais. Ou se é o final apoteótico, “eu só aceito a condição de ter você só pra mim. Eu sei não é assim mas deixa eu fingir e rir..”. Provavelmente é aquele último minuto instrumental em que o Amarante fica cantando laralaralaralará.
Sob um céu de blues (Cascavelletes)
A garota o abandonou na estação de trem sob um céu de blues e ele está disposto a quebrar sua janela, a rolar com os bêbados pelas ruas imundas. A não ser que alguém lhe arranje uma bebida forte e uma companhia na cama. Mesmo assim nada parece ser capaz de fazê-lo suportar as cem toneladas de desilusões, sob um céu de blues.
Sozinha minha (Lobão – Noite)
No show que fez em Florianópolis no final de 2001, Lobão disse: “vou cantar agora uma música que eu acho que é a mais bela que já fiz mas que foi um fracasso, Sozinha Minha.”. E mostrou a público uma das músicas mais desesperadas e melancólicas de sua lavra. Um belo fracasso: “Sozinha minha quando vejo a tua cara, triste quando cala, triste fala. Eu vejo o silêncio da dor. Sozinha minha o teu gesto que desaba. Grita quase lágrima, rima quase lágrima. Esquece os teus olhos em mim, sem tentar dizer que tá tudo igual e todo mundo anda desse jeito. Sempre o mesmo jeito, que só da vontade de sumir. Porque tá tudo igual e todo mundo ama desse jeito, sempre o mesmo jeito. Então me abraça e esquece todo o luto que esse mundo tem”
Uns dias (Os Paralamas do Sucesso)
Ninguém pode ser mais desesperado que o corno. E o chifre na cabeça é o mote dessa música que Herbert Vianna compôs para sua ex-namorada Paula Toller. “Eu te procurei pra me confessar. Eu chorava de amor e não porque sofria. Mas você chegou, já era dia. E não estava sozinha. Eu tive fora uns dias. Eu te odiei uns dias. Eu quis te matar”.
Escrito por Mário Coelho às 20h01
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This old boy has been a lonely, parte 1
So give me coffee and TV peacefully I've seen so much, I'm going blind and I'm brain-dead virtually Blur - Coffee and TV
Uma das vantagens de voltar para casa, mesmo que temporariamente, é desfrutar de todo o conforto que não tenho em Brasília. TV a cabo no quarto, computador bom com internet rápida, um aparelho de som decente, uma cama pra lá de confortável... ok, ok, não vou me estender se não daqui a pouco não vou querer mais voltar. Mas a coisa que eu mais sinto falta é o aparelho de DVD. Pude tirar algum atraso, ver alguns filmes que há tempos queria assistir e não tinha como lá. Alguns, que eu esperava demais, me decepcionaram. Já outros foram justamente o inverso. Segue uma pequena lista do que vi por aqui (entre alugados, comprados e baixados).
Nove canções (Nine songs, 2004) - Escrito e dirigido por Michael Winterbottom, é a história de amor entre uma estudante americana e um especialista em áreas glaciais inglês. Casou furor por causa das cenas de sexo explícito entre os dois atores. Enquanto está numa missão de pesquisa no Pólo Sul, Matt se lembra das transas que teve com Lisa e os shows que assistiu na Brixton Academy. O filme é o típico caso onde o diretor está preocupado apenas em mostrar uma nova forma de cinema, tentar quebrar paradigmas, e esquece que, acima de tudo, uma boa história deva ser contada. Os dois atores não convencem como casal, não existe roteiro nem direção. Vale a pena como um videoclipe do Franz Ferdinand, do Black Rebel Motorcycle Club e do The Dandy Warhols. Até como filme pornô Nove canções é péssimo.
 Nada como um banho de banheira depois de um dia estafante de trabalho
Old boy (2004) - O sul-coreano Park Chan-wook fez bem a sua lição de casa, ao contrário de Michael Winterbottom. A história não é nem um pouco convencional. Um homem é preso num quarto de hotel por 15 anos. Após ver pela TV que é o principal suspeito do assassinato de sua esposa, ele tenta o suicídio. É colocado em liberdade, e aí sai para buscar sua vingança. Cenas fortes - como quando o personagem principal arranca os dentes de um rival com um martelo -, algumas até escatológicas. Tudo para mostrar como o amor pode ser doentio, demente. O final é perturbador. Filme para ser visto com as luzes acesas, e, de preferência, enquanto ainda tem luz no lado de fora.
 Alguém arrancou o piercing da minha língua!
Sin city - A cidade do pecado (Sin city, 2004) - Ok, eu sou fã do Frank Miller. Não como não ser. Mas, ao contrário de todos os babões por cinema, eu não gostei da "adaptação" cinematográfica do Robert Rodriguez para uma das obras-primas das HQs. Dos três episódios retratados no filme - A cidade do pecado, O assassino amarelo e A grande matança -, eu só não tinha lido o último. E assistir Sin city foi como ler o gibi. Falem o que quiserem, mas é justamente pelo fato de ter sido uma "mera" transposição dos quadros de papel para os frames digitais que ele perde a graça. Eu quero ser surpreendido, reclamar, elogiar. Não simplesmente discutir o porquê da Nancy interpretada pela Jessica Alba não mostra os seios. Afinal, no gibi, ela não passa nem perto de um sutiã. Não existe visão de diretor. Sei que a grande maioria dos fãs adorou a "adaptação". Pra mim, é um fantástico desperdício de grana, desde que tenha lido os gibis, repito. Caso eu não fosse um gibimaníaco, acharia o filme fantástico. Mickey Rourke, Bruce Willis e Benicio del Toro estão muito bem em seus papéis. Clive Owen não decepciona, assim como Elijah Wood.
 Shut up, biatch! Or I cut your face like a piece of meat
Escrito por Mário Coelho às 05h48
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This old boy has been a lonely, parte 2
Terra dos mortos (Land of the dead, 2004) - "Os zumbis tomaram o controle do planeta. Os poucos humanos que conseguiram sobreviver vivem agora em uma cidade cercada por muros, que impedem a invasão dos zumbis. Enquanto que as ruas da cidade são dominadas pelo caos, os mais ricos vivem isolados em prédios extremamente protegidos. Em meio às brigas internas na cidade os zumbis planejam um novo ataque, já que estão atualmente em uma forma mais evoluída da espécie." Essa é a sinopse escrita pela equipe do Adorocinema.com. Tudo que você precisa saber é que é mais um "capítulo" na série dos mortos de George Romero e que tem a Asia Argento no elenco. Isso já diz tudo, não?
 Não grita como a Jamie Lee Curtis, mas Asia Argento é bem mais agrádavel aos olhos
O guia do mochileiro das galáxias (The hitchhiker's guide to the galaxy, 2004) - Uma adaptação mais livre do livro homônimo de Douglas Adams. Tempos atrás, escrevi aqui no blog sobre dois filmes que tiveram seus roteiros baseados na literatura, Um grande garoto, do Nick Hornby, e Bellini e a esfinge, do Tony Bellotto. Em ambos, os diretos seguiram a linha da história, mas buscaram finais diferentes. Mudaram a característica e a importância de alguns personagens. Aconteceu a mesma coisa nesse caso. Não funcionou muito bem. O final d'O guia do mochileiro das galáxias tira a possibilidade de uma continuação baseada em algum dos outros três livros. (Aqui vai um spoiler. Se você não viu e ainda quer assistir, não leia as próximas linhas.) Arthur nunca chega a beijar a Trillian, e muito menos é mostrado a construção da Terra 2. Ele não tem que escolher entre voltar para sua vidinha normal ou ficar com Trillian. Os terráqueos somente sentem falta dos golfinhos no último livro, Até logo e obrigado pelos peixes!. Perdeu completamente o sentido. Mesmo tomando essas liberdades, é um bom filme. Especialmente pela atuação do Sam Rockwell, inspiradíssimo no papel de Zaphod Beeblebrox.
 Um louco como Zaphod Beeblebrox só podia ser interpretado por Sam Rockwell
Batman begins (2004) - Cansada de tomar pancada da Marvel nas adaptações de gibis para a grande tela (desculpem o chavão), a DC Comics tomou vergonha e montou uma equipe de verdade para fazer o filme do homem-morcego. Levemente inspirada em Batman - Ano um, de Frank Miller, Batman begins segue a trilha dos filmes dos heróis da Marvel. Gasta-se um tempo explicando como o personagem se tornou o vigilante temido das ruas de Gotham City, sua origem, o que aconteceu com seus pais. É fiel aos quadrinhos sem ser exagerado, de uma maneira que apenas um fã reconheceria. Christian Bale realmente conseguiu encarnar um bom Batman. É verossímel tanto como o playboy Bruce Wayne quanto como com a armadura e a capa. Nos quatro filmes anteriores, o comum era os vilões se sobressaírem ao personagem principal. Foi assim no primeiro Batman, de 1989, com Jack Nicholson interpretando o Coringa; na seqüência Batman - o retorno, Michelle Pfeiffer deu um show como a Mulher-Gato, assim como Danny DeVito como o Pingüim. Os dois foram dirigidos por Tim Burton. Os outros dois, de Joel Schumacher, são abaixo da crítica. Já no filme de Christopher Nolan, o mesmo de Amnésia e Insônia, isso não acontece. Batman é a estrela e ponto.
 Essa roupinha, essa posição... sei não.
O justiceiro - (The punisher, 2004) - Herói (se é que podemos chamá-lo de herói) segunda linha da Marvel, o Justiceiro merecia uma melhor adaptação. Foi mal nas bilheterias nos EUA e por essas bandas foi lançado direto em DVD, sem passar pelos cinemas. A versão trash de 1989, com Dolph Lundgren no palpel de Frank Castle acaba sendo mais divertida. É bem feito, explica a história do personagem (seguindo a fórmula de Avi Arad de fazer cinema), mas não consegue decolar. Fica faltando alguma coisa.
 Não basta fazer cara de mal. O trabalho é sujo, mas alguém tem que fazê-lo
Escrito por Mário Coelho às 05h44
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Lembranças
Sweet home Alabama
where the skies are so blue
sweet home Alabama
Lord I’m coming home to you
Lynyrd Skynyrd – Sweet home Alabama
Eu tinha esquecido como é fácil suar em Florianópolis. É o tempo todo enxugando o suor da testa, dos braços. Os pingos escorrem com uma facilidade impressionante. Já estou quase um ano fora. E a última vez que eu visitei a família estava frio. Não dava para rememorar este fato. Quando eu desembarquei do avião no aeroporto já senti o calor de uma maneira diferente. Em Brasília é bem diferente. Você transpira. Só que nem dá tempo para a transpiração se transformar em suor.
Meu pai costumava dizer que quando você está numa pior o urubu de baixo caga no de cima. Vai saber de onde o velho Mário Ignácio tirou essa frase. Só que ultimamente eu tenho notado que isso pode ser altamente verdadeiro. Tirando a área profissional, que vai relativamente bem, o resto é uma bagunça completa. A menina meiga que joga um jogo que eu odeio, o furto do som do meu carro, a batida na saída da feira do Paraguai, o overbooking na vinda para cá, o pau no computador que me impede de acessar a banda larga, a quase batida na saída da minha videolocadora predileta.
Só que tudo isso não muda o fato de eu estar feliz por estar em casa. A última semana de trabalho foi angustiante. Queria que o tempo passasse logo. Não via a hora de arrumar a mala e entrar no avião, chegar logo à terrinha. Eu precisava desesperadamente de um descanso, estar entre os meus. Sossego, sabe? Ficar um pouco de pernas para o ar, apenas vendo televisão, ouvindo música, tomar um capuccino na minha cafeteria predileta, ver um monte de filmes, esse tipo de coisa. Fazer a mente parar de funcionar um pouco.
Claro que isso não é fácil. A banda larga foi restabelecida há algumas horas. Um programa espião acabou travando o acesso do computador ao modem. Era por isso que não conseguia conectar. São quase 5h30 do meu último dia na terrinha, e aqui estou eu escrevendo no blog enquanto leio o que aconteceu em Brasília pelo site do jornal. Ok, mas isso é agora. Até então, tava indo bem. Quinta, quando cheguei, foi o dia de pegar uns filmes pra assistir. Sexta, John Bull e Quarteto Banho de Lua. Combinação mortal. Sábado e domingo, reunião de família. Primeiro na casa da minha madrinha e depois aqui. Segunda cervejas à beira-mar num boteco simpático com dois amigos.
Escrito por Mário Coelho às 04h27
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