Caixa de suco
Why won't you come over here we got a city to love why won't you come over here we got a city to love Strokes - Juicebox
Uma rápida troca de e-mails acabou com o único programa decente que existia em Brasília hoje à noite. Casa no Lago Norte, quatro dêjotas tocando rock'n'roll, entrada barata e promessa de cerveja gelada boa parte da noite. Problemas com o ECAD, alegaram. Então sem muita motivação de fazer alguma coisa. Colegas chamaram para tomar umas cervejas depois do expediente. Já estão lá, no segundo ou terceiro copo. Valeu, essa eu passo. Aproveito para colocar em dia a leitura dos blogs amigos. E, principalmente, para ouvir pela primeira vez o novo disco do Strokes - First impressions of earth -, que só será lançado nos primeiros dias de janeiro do próximo ano.
Um amigo me mostra um pen drive e me pergunta se eu sabia o que era aquilo. Disse automaticamente que sim, mas na hora me deu um branco. Não ter internet em casa me deixou completamente distante de tudo que diz respeito a tecnologia. Ele pergunta de novo. Sou obrigado a dizer que não sabia. "É um disquete moderno, seu burro", penso comigo mesmo depois de ter lembrado para que aquele objeto com tamanho de um isqueiro serve. Isso não é importante. O mais importante é o que está armezenado nele. Maravilha a internet. O novo disco do Strokes vazou bonito, e esse meu amigo me oferece. "Eu passo para o seu computador, se quiseres", oferece. Meu ímpeto foi negar. Sabe, nada como a surpresa de abrir com dificuldade o plástico que envolve a caixinha, folhear as páginas do encarte, aquele suspense entre os segundos que dividem o momento do play aos primeiros acordes.
Não levou mais que trinta minutos para eu mudar de idéia. Pô, é Strokes né? Aquela banda que eu vi de perto há um mês e meio. Que eu quase chorei quando tocaram Last nite. Que fez eu perder a minha voz por dois dias de tanto cantar no TIM. Que me fez passar um mês de cão, vendendo o almoço para comprar a janta porque eu tinha que ficar na frente do palco. "Ei, passas as músicas para o meu computador", pergunto. É dois toques para isso acontecer. Isso foi na quinta-feira. Deixei os arquivos numa pasta sem tocá-los. A justificativa era que meus fones de ouvido tinham ficado em casa. Poderia muito bem ter pego um da empresa.
Está terminando meu plantão. E agora estou na faixa Evening sun, a 12ª de 14. O primeiro adjetivo que me vem à cabeça é maravilhoso. Junta Is this it e Room of fire em um caldeirão; a crueza rock'n'roll do primeiro com as melodias do segundo; as letras despojadas... está tudo ali. Claro que não tem uma nova Last nite. Músicas assim são muito difíceis de serem repetidas. Nirvana conseguiu fazer uma só - Smells like teen spirit - assim como os chatos do White Stripes - Fell in love with a girl -, portanto esqueçam qualquer mega-hit. Deixem isso para o U2. Ouçam Juicebox, Heart in a cage, You only live once (com sua entrada à I want to break free, do Queen) e provavelmente chegarão a mesma conclusão que eu. Do hype da época do EP The modern age, a parcialmente desacreditados em Room of fire, o Strokes, hey hey my my, veio para ficar.
Escrito por Mário Coelho às 00h27
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