Madrugadas insones
"We are young, we run green Keep our teeth nice and clean See out friends, see the sights Feel alright!" Supergrass - Alright
Já falei isso por aqui tantas vezes que já perdi a conta. Como, por exemplo, no post Pílulas de inspiração. Admito: sou notívago até não poder mais. Adoro a noite. E não apenas no sentido boêmio não; gosto da tranqüilidade para ler, ouvir música baixinho sentado na janela fumando um Malboro. Gosto dos filmes ruins que passam na Globo e no SBT. Dos seriados extremamente mal dublados dos dois canais, com o mesmo universo de 20 episódios (na melhor das hipóteses). Isso acabou quando, na limpeza do meu quarto, uma das meninas da pensão bateu com a bunda na minha televisão. O aparelho caiu no chão e o tubo de imagem foi para o beleleu.
Como a pensão não é muito bem sucedida financeiramente, a dona não tinha grana para pagar o conserto. Como paliativo, colocaram a televisão de um hóspede no meu quarto. A imagem não é lá essas coisas, mas pega mais canais do que a que estava antes comigo. E o mais legal: dava pra ver MTV. Tá certo que não é mais a mesma emissora do início dos anos 1990, quando o rock'n'roll reinava. Hoje, mal passam videoclipes na programação normal. Mas, pra quem tem paciência - ou falta de sono - para esperar até a madrugada, vale a pena. Após o término das reprises dos programas do dia, começa uma enxurrada de clipes legais. Um dia me surpreendi. Em seqüência tocou:
Beck - Loser Soup Dragons - I'm free Supergrass - Alright Steriogram - Walkie talkie man Blur - Song 2
Claro, como tudo que é bom, acabou logo. Veio o Puff Daddy com Been around the world, chupação de Let's dance, do David Bowie. Mais uns clipes de rap, recomeçou o rock'n'roll. E aí, era só safra nova.
Modest Mouse - Float on Franz Ferdinand - Do you want me to The Killers - Somebody told me Gram - Você pode ir na janela
Quando começou Do you know what I mean, do Oasis, eu percebi que já era hora de dormir. Outro dia, num intervalo de menos de meia hora, tocou duas vezes (!!) Rebellion (lies), do Arcade Fire. Parece que nas madrugadas existe alguma inteligência na emissora que um dia já foi bem legal.
Escrito por Mário Coelho às 20h03
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Dos velhos discos guardados numa caixa
“Fui lhe mostrar o disco que eu comprei de um cantor que eu sempre gostei mas você não me deu atenção” Frank Jorge - Nunca diga
Quando saí de Florianópolis cheio de esperanças para trabalhar e fazer São Paulo, levei duas malas de roupas, alguns livros e selecionei um punhado de discos. Todos condicionados num estojo propício para não ocuparem muito espaço. As coisas não deram certo por lá e me vi tendo que morar em Brasília, cidade que eu nunca imaginei que fosse parar. Vim para ficar um mês, estou há 11. A seleção de CDs que eu tinha levado para São Paulo não mudou praticamente. Nem a dos livros. Umas poucas trocas.
Os discos Carteira nacional de apaixonado e Vida de verdade, os dois do Frank Jorge, o meu ex-Cascavelletes predileto (para saber mais, clique aqui e aqui), estavam em um dos estojos, entre álbuns do Foo Fighters, Los Hermanos, Hellacopters e The Gathering. Estavam lá, guardados, sem eu dar muita bola para eles. Sempre passava por cima, não tinha mais vontade de ouvir. Era quase como se eles representassem uma fase da minha vida que havia passado. Era quase como se eles tivessem perdido o prazo de validade naquele mitológico show no Cabron Festival, em 2002.
Por oito meses, vivi aqui em Brasília sem carro. Quem mora aqui sabe que isso atrapalha e muito qualquer tipo de vida. Você não consegue ir ao cinema, pegar uma balada rock’n’roll, comer em um lugar decente e diferente. Ônibus é inviável, táxis caros demais. Se não tivesse carona, era ficar em casa, assistir tv, ler um livro e pronto. Aí minha mãe mandou meu carro para cá. Junto, três caixas com todos os meus discos e DVDs, além de uma mão cheia de livros.
Na madrugada de segunda, comecei a mexer naquelas caixas. Lembrei de coisas que tinha passado, de discos que eu não parava de ouvir e de repente eles não mereceram nem vir dentro daqueles estojos. Não era especificamente o caso do Frank Jorge. Eles vieram comigo, só não os ouvia mais. Peguei meu único aparelho de som - um discman, já que roubaram o som do meu carro durante um show do Tequila Baby aqui -, e coloquei o Carteira nacional de apaixonado para tocar. Tá, o momento conspira para ouvir a jovem guarda pop do Frank.
Mas as letras românticas e as melodias simples simplesmente tocam qualquer coração que esteja batendo um pouco diferente. Agora, três anos depois, eu me vejo ouvindo novamente esse disco. Cantando as músicas. Vou largar (a Jovem Guarda) não me sai da cabeça, assim como Nunca diga. De repente, fez um sentido brutal aquela eleição da Bizz (então Showbizz) que classificou o álbum como o terceiro melhor de 2001. Querida, nunca diga que eu tenho mau gosto. Frank Jorge é o cara.
Escrito por Mário Coelho às 19h43
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