Resenha
Trecho do texto do Arthur Dapieve (esse sim entende de rock) no nomínimo.
"No cardápio roqueiro, dois ótimos shows funcionaram quase como antípodas: o dos Strokes e o do Arcade Fire. Na noite de sexta-feira passada, diante do palco principal, o tautológico Stage, escutando a moçada cantar “12:51” ou “New York Cops” de cabo a rabo, em êxtase, fiquei matutando quando tinha sido a última vez que vi tamanha empolgação, tamanha hummm beatlemania. White Stripes, no Tim de 2003? Não. R.E.M. no Rock in Rio de 2001? Não. Oasis, avulso, no então Metropolitan, em 1998? Sim. Sete anos. Sete anos! Lá como aqui, fez parte do meu show prestar atenção tanto à banda quanto à platéia. Tanto a Julian Casablancas quanto, admito, amor, admito, a Luana Piovani se esbaldando na pista."
Realmente, era uma beatlemania total. Eu só tinha visto parecido - e pela televisão - ao Guns'n'Roses no Rock in Rio II. Em São Paulo não teve Luana Piovani. Mas teve Luciana Vendramini, Karina Bacchi e a Marina da MTV, além da Drew Barrymore. Um amigo que assistiu o TIM no Rio relata que DB passou boa parte do show do Kings of Leon ao lado dele. Pooooorra!
Escrito por Mário Coelho às 23h03
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A arte de escrever muito com quase nada
Quase quatro mil toques sobre o dia mais quente em Brasília. Vai-se ao Parque da Cidade (agora entendi Eduardo e Mônica!), pega-se algumas pessoas como personagens e manda bala. Vai sair na edição de amanhã, com muito poucas modificações.
Mário Coelho Da equipe do Correio
Distante da terra natal por mais de 1,7 mil quilômetros, o estudante Leomar Tenório Santos, 16 anos, acreditava que podia suportar qualquer temperatura. "Lá em Aracaju é quente o tempo todo, nem sentia mais calor. Quando cheguei a Brasília, vi que é bem pior", disse. Leomar acompanhou 80 alunos do ensino médio que saíram de Sergipe para participarem da Assembléia Popular – mutirão por um Brasil melhor, que reuniu 40 entidades para protestar contra o governo federal. "Esse clima seco é terrível mesmo. Tentei jogar futebol, mas quando dei a primeira puxada de ar, o ar não veio", revelou, enquanto tomava uma ducha de água no Parque da Cidade para amenizar o calor.
Não foi só Leomar que sofreu no dia que os termômetros do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) marcaram a temperatura mais alta do ano. Às 15 horas, foi registrado 34ºC, com umidade relativa de 21%. Até então, dia mais quente tinha acontecido há 10 dias. Em 17 de outubro, o calor chegou a 33,8%. "A explicação para esse calor é a ausência de frentes frias que deixam os dias com pouca nebulosidade. Assim, a radiação solar tende a aumentar. Nesta época, um outro fator gerador de altas temperaturas é a proximidade com a estação do verão", explicou Odete Marlene Chiesa, meteorologista do Inmet. Segundo Odete, a previsão para hoje é que o dia seja quente, com névoa seca e parcialmente nublado a nublado. A umidade relativa do ar deve variar de 30 a 80% e a temperatura chega a 32º e a mínima 21º. Outro fator que faz as altas temperaturas serem mantidas é a falta de chuvas. A média esperada para outubro, segundo o instituto, era de 172 milímetros. Entretanto, choveu somente 16 milímetros, menos de 10% do esperado. O técnico do Inmet, Aitler Prego, prevê que o período das chuvas está próximo. "Existe a possibilidade de chuvas esparsas para o resto da semana. Mas chuva mesmo só no domingo", afirmou o funcionário do instituto.
O servidor público Márcio Alexandre Dantas, 32 anos, e a decoradora Viviane da Luz Dantas, 29 anos, saíram duas vezes do Cruzeiro, onde moram, porque não "agüentavam ficar parados sofrendo com o calor". Deram um passeio no Parque da Cidade pela manhã, cada um tomou uma água de coco e voltaram para casa. O casal teve que voltar na parte da tarde. Aproveitaram uma sombra para beber um pouco mais de água de coco e relaxar. "Hoje realmente tá demais. Ainda bem que hoje estamos de folga, deu para aproveitar um pouco", ressaltou Márcio.
As duchas próximas ao Ponto do Atleta, no parque, estavam o tempo todo ligadas. Para quem corria na pista, andava de patins ou de bicicleta, era a melhor maneira de amenizar o calor. Para o representante comercial Rivaldo Paiva, 56 anos, trabalhar numa área próxima acabou sendo uma bênção no dia mais quente do ano. "Trabalhei até agora. Hoje está um calor infernal. Fui obrigado a parar aqui, tomar uma ducha e relaxar um pouco. O que deu para fazer até às 17 horas deu. O que não deu, fica para depois", brincou. "Dá até para fazer as compras no supermercado mais tranqüilo."
Depois de correr um pouco na pista, o estudante do 8º período de Direito do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) Bruno Jordão Ramos, 23 anos, toma bastante água em um bebedor. "Aqui em Brasília metade do ano é assim mesmo. Mas têm dias que são piores", constatou. Quando tem oportunidade, sai da faculdade às 17 horas e vai ao parque correr, olhar as pessoas – especialmente as meninas - e tomar uma ducha. A também estudante Anna Júlia de Oliveira, 23 anos, para combater o calor, prefere nadar no SESC da Asa Sul, onde mora. "Na piscina é melhor. Mas estava perto e resolvi correr um pouco e dar uma volta pelo parque", explicou.
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Tô no plantão noturno hoje. Geralmente, quando isso acontece, a gente acaba sumindo da edição do dia seguinte. Hoje, pelo menos, rolou essa matéria do calor. Só isso também, porque a ronda de polícia não deu nada até agora. Espero que continue dessa maneira.
Escrito por Mário Coelho às 22h40
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São Paulo é uma festa
People say that your dreams are the only things that save ya. Come on baby in our dreams, we can live our misbehavior. Arcade Fire - Rebellion (lies)
A angústia durante a semana foi grande. Cada minuto passado parecia uma eternidade. Há quatro anos que eu queria ver um show do Strokes, desde que eu baixei o EP The modern age no Napster. Aquelas três músicas - a faixa título, Barely legal e Last nite - não paravam de tocar no Winamp. Era Strokes pra lá, Strokes pra cá. A primeira banda de rock da era da internet, autora do Smells like teen spirit do século XXI. Era uma questão de honra assistir os caras na primeira passagem pelo Brasil. Quando chegou o dia 8 de setembro e começaram as vendas dos ingressos para o TIM Festival, logo comprei meu ingresso. Área VIP, São Paulo, vamos ver Kings of Leon e Strokes, duas das minhas bandas prediletas. Não tinha erro.
Uma folga na segunda-feira teve que ser negociada com um mês de antecedência. Não era brecha com os chefes, mas sim o direito de escolher o dia de não trabalhar após o plantão. Assim como a folga, as passagens foram compradas bem antes, para não pagar uma grana alta. A idéia era chegar na sexta à noite, pegar um Matrix com os amigos. Sábado a opção inicial era a Funhouse, a casa mais divertida de São Paulo. E a domingueira destinada à catarse coletiva do TIM Festival. De quebra, seria o momento perfeito para reencontrar os amigos que fiz lá e os que hoje moram lá. Só que nem tudo corre como o planejado.
Os problemas começaram na sexta-feira. Por causa de uma forte chuva que caiu sobre São Paulo, os aeroportos de Congonhas e Guarulhos fecharam. Tivemos que pousar em Campinas. Só pousar, já que ficamos quase uma hora e meia parados dentro do avião. Estávamos esperando para decolar novamente, com destino a Guarulhos. O que me salvou de enlouquecer foi um exemplar da Carta Capital e outro do Correio Braziliense que eu tinha comprado no aeroporto para fazer tempo. Não via a hora de chegar na casa da minha amiga em Pinheiros, tomar um banho, pegar um táxi, chegar no Matrix e lá tomar umas cervejas, ouvir um Buddy Holly. Estava sonhando com isso.
Shakedown 1979, cool kids never have the time
No avião, pelas ligações feitas antes, o maior medo era de não ter os amigos no Matrix. Um deles já estava lá, mas pela chuva que caía em São Paulo não botava fé que ele fosse ficar por muito tempo. O outro, estava claramente sem vontade alguma de sair. Foi necessário um convencimento, depois de pousar em Guarulhos à 1h20. Ainda tinha que fumar um cigarro - mais de seis horas de abstinência - entrar no ônibus para fazer o traslado de Guarulhos a Congonhas e pegar um táxi até Pinheiros. Cinqüenta reais mais pobre, chego na casa da minha amiga eram quase 3 horas. O tempo corria contra, mas era questão de honra: nem que tomasse só uma Miller e ouvisse uma música apenas, tinha que ir ao Matrix. Chegando lá, foi bom pra caralho.
Sábado, depois de tomar umas cervejas na Paulista com dois amigos, era chegar em "casa", tomar um banho e seguir para o Charm, boteco na avenida Augusta, a famosa localização dos puteiros em São Paulo. Quatro, cinco cervejas e um suíço inconveniente depois, era chegar numa das melhores baladas da terra da garoa. O DJ Club tem uma seleção de música eclética dentro do rock, sem pudores de tocar New Order, Smiths, Strokes, Interpol e B52's na seqüência. Depois que a piazada foi embora, e a casa ficou mais vazia, começou a melhorar. Rolou até um casamento. Pelo que soube, o contrato foi rompido uniliteralmente no dia seguinte.
A barriga estava cheia de borboletas no domingo. Pô, Kings of Leon e Strokes em seqüência era um sonho. E foi. Passou muito rápido. Tenho lembranças vagas, de alguns trechos apenas. Devia ser a emoção. A garganta detonou de tanto gritar. O show do KOL foi calcado no Aha shake heartbreak (tem resenha aí no arquivo). Eles abriram queimando o hit Molly's chambers, para delíro do povo. Não senti uma recepção calorosa por parte do público. Talvez achassem que os moleques do Tennessee fossem quebrar tudo no palco. Não, essa idéia não poderia estar mais errada, assim como dizer que o segundo álbum da banda é irregular. Quem não entende patavina de rock 70 acaba escrevendo besteiras como esta.
O melhor estava por vir, e ninguém escondia que estava na Arena Skol Anhembi para ver o Strokes. Eu quase chorei por três vezes: quando tocaram The end has no end, na abertura, Last nite no miolo e o bis arrasa-quarteirão Hard to explain e Reptilia. Tocaram o Is this it? inteiro. Eu não tenho palavras além de "foooooda" e "pooooorra" para adjetivar os 100 minutos de show. Poooorra, foi muito foda. Das três músicas novas, eu só conhecia Juice Box. Rolou ainda Razor blade e Heart in a cage. Foram os momentos com menos participação do público. Mesmo assim, eu vi muito neguinho cantando as novas super empolgados.
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Curtas
- Faltou encontrar a Alê. Merda. A Claudinha também. - Depois do show, fui com três meninas no Vegas. Encontrei duas amigas lá. Tava uma merda. O lugar é legal - especialmente a localização, ao lado dos puteiros da Augusta -, mas é muito caro e a galera é blasé demais. O som, quase totalmente electro, não agrada xiitas rock'n'roll como eu. A exceção foi que tocaram Reptilia e as versões remixadas de Banquet, do Bloc Party, e de Michael, do Franz Ferdinand. Foi legal também quando rolou I heard it through the grapevine, do Marvin Gaye, na versão do Kaiser Chiefs. É muito pouco. Definitivamente, o Vegas não obedece àquilo que Júpiter Maçã e Wander Wildner me ensinaram. Não tem som legal, não gente legal e nem cerveja carata. Recomendação do Public Enemy: don't believe the hype! - A segundona foi ótima. Visita à Galeria do Rock, compra do novo disco do Forgotten Boys e cerveja até quase a hora de embarcar num boteco do Centro com uma amiga que eu tava morrendo de saudade, um amigo de velhos tempos e uma nova amiga. - Por algumas horas, pareceu estarmos novamente em outubro de 2004. Nas coisas legais e ruins também. - Não é que a M.I.A. é divertida? E não é que o show do Arcade Fire foi do caralho? Os canadenses são muito loucos no palco. Só por isso mereceram a epígrafe lá de cima.
Escrito por Mário Coelho às 21h38
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Pílula
Logo logo um post sobre o fim de semana em São Paulo e resumo do TIM Festival. Duas palavras: muito foda.
Escrito por Mário Coelho às 17h10
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