Histórias de minhas putas tristes, volume 1*
I see you smile and turn your head You lift your arms and grab the bed I don't know what you're thinking now I just hope you're feelin how, much love I have for you Elefant - Make up
Era quase 16 horas quando ouviu bateram à porta do quarto. César estava tirando a roupa para entrar no banho, e ficar ali até quase a hora de ir para a faculdade. Gosta de banhos longos, daqueles que são capazes até de limpar a alma. O único problema é que não tem um aparelho de som no quarto de pensão que aluga desde que chegou em Brasília. Veio a estudo, para fazer mestrado em espécies evolutivas do Cerrado, na Universidade de Brasília. O toc toc toc interrompeu seu pensamento. Pensava naquela colega de classe de peitos grandes e firmes, coxas grossas e bem torneadas. Achou que era o rapaz que é uma espécie de gerente do local.
- Você tem um cigarro?
Não era. Eliane, uma goiana de 28 anos, adora sertanejo, tem dois filhos, trabalha na noite, como costuma dizer, há seis anos. Cabelos cor de pinhão, 1,65m, conversa fácil e com um olhar franco. Os peitos são grandes, a barriguinha um pouco saliente, ancas firmes e bunda no tamanho certo (pelo menos para César). Lembrava uma certa colega dos tempos do curso de Biologia da Universidade Federal de Santa Catarina. Ele se assustou, não esperava que ela batesse à sua porta. O coração passou a bater mais forte.
- Tenho sim. Entra aí e não repara na bagunça. - Ah, eu também bagunceira que nem você.
Sentiu o hálito de cerveja, e viu que os olhos estavam cansados. A expressão corporal denunciava que Eliane já tinha bebido um pouco mais da conta. Sem cerimônia, ela se senta na cama e cruza as pernas lentamente, com um alto grau de libidinagem. César sente sua cueca ficar pequena. Nervoso, ainda não sabe direito o que fazer. Pega o cigarro, dá para Eliane. Ela não acende e fica olhando nos olhos de César. Ali ele sentiu que tinha que partir para o ataque. Segurou na nunca dela e deu um beijo no boca. Pelo menos tentou. Ela se virou no começou, fingiu lutar um pouco, mas acabou se entregando.
Deitaram. Foi um tal de boca ali, mão acolá. César lembrou que não tinha camisinha, mas não mencionou nada. Ela só disse que ele iria se atrasar se continuassem com aquilo. Não que César se importasse. Ela insistiu.
- Vai tomar banho menino! - Só se você vier comigo. - Não, eu fico te olhando só. Depois a gente termina isso, temos bastante tempo. O que é feito na pressa não tem graça.
Tomou banho e foi para a aula. Não viu Eliane naquele dia, nem nos dois próximos. Quando ela apareceu, ele perguntou quando terminariam o que começaram. Ela disse que não poderia naquele dia, pois tinha que sair. "Que merda", pensou. Vou ter que resolver isso de outra maneira. Subiu para o quarto, ligou a televisão e esperou o sono chegar. Tava difícil. Toc toc toc novamente. Era ela. Entra no quarto e já deita na cama.
- Eu sei que você quer. E eu também quero. Só que você precisa me ajudar. - Como assim, ajudar? - Uai, ajudar. - Tá, entendi. Mas quanto é essa ajuda? - R$ 200.
César sentiu uma faca atravessando seu peito. Não esperava que Eliane fosse aplicar esse golpe. Primeiro uma amostra grátis. Ela viu que ele estava muito afim, e decidiu unir o útil ao agradável. Usar chavão nessa hora é inevitável. César pensou na minguada bolsa que recebe, no aluguel caro que paga e percebeu que teria que resolver essa problema sozinho. Ainda tentou argumentar, mas Eliane é calejada, sabe o terreno que está pisando. Deu um beijo no rosto, mais um cigarro e disse que desse jeito não queria. Ela saiu pela porta do quarto, e César teve que se contentar com o cheiro de perfume barato no seu travesseiro.
* não li ainda o livro do Gabriel Garcia Marquez, mas o uso é inevitável. A história é uma obra de ficção. Ou não.
Escrito por Mário Coelho às 21h21
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