Itinerários
So you walk into this restaurant strung out from the road And you feel the eyes upon you as you're shaking off the cold You pretend it doesn't bother you but you just want to explode Metallica - Turn the page
Nunca fui daqueles que têm a necessidade constante de colocar o pé na estrada, conhecer novos lugares e ter novos desafios. Não. Entretanto, as recentes mudanças de planos me obrigaram a ficar num pra lá cá incrível. Em menos de um ano, estava em Florianópolis, fui para São Paulo e desde janeiro moro em Brasília. O começo foi muito difícil. Não conhecia ninguém nem nada. Aquela cidade me deixava angustiado: sua falta de esquinas, sua falta de vitrines nas ruas e, principalmente, de pessoas andando pelas calçadas. Aquelas retas enormes, os nomes estranhos (W3, L2, SCS, HIGS e por aí vai), tudo dificultava.
Aí eu perdi o emprego. Parecia ser o momento exato de fazer as malas e dar adeus a Brasília. Só que não foi. E acredito que esse momento está cada vez mais longe. Passei a gostar de vários aspectos da cidade, a conhecer pessoas que se mostraram muito legais e viver um pouco mais em paz. Faltava o emprego. E ele veio, no maior jornal da cidade. Não tinha mais por que voltar, começar tudo novamente. Eu achava que sabia o quê queria. Um mês sem fazer nada te faz pensar bastante, mesmo que não queria. Como num filme, todos os momentos profissionais passaram pela minha cabeça. Vi o que fiz de certo e de errado; foi um bom aprendizado.
Mesmo assim, manti parte do plano inicial: vir a São Paulo visitar os amigos enquanto alguns faziam a prova de seleção do Curso Estado de S. Paulo de Jornalismo. Um bom pretexto. E a viagem serviu para reforçar a decisão de ficar em Brasília. Eu tinha na cabeça um momento mágico que aconteceu durante quatro meses do ano passado. Muitas daqueles que estiveram nesse tempo não estão mais aqui. Outros mudaram bastante. Aquela São Paulo que eu guardava nas lembranças não existe mais. Se eu me mudasse pra cá com a mesma mentalidade de antes, estaria fadado ao fracasso novamente.
Isso não significa que no futuro possa me mudar pra cá (escrevo da casa de um grande amigo que decidiu abrir a mão e colocar banda larga). Visitinhas ocasionais acontecerão com uma certa freqüência, isso é certo. Até mesmo porque logo logo terá show de uma das minhas bandas prediletas por aqui. Não tem como perder. Agora o sonho de trabalhar na paulicéia desvairada acabou. Não dá mais para depender da minha mãe. É mais que hora de ser independente e viver a minha vida.
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Vim pra cá de ônibus. Eu gosto de pegar a estrada, parar em restaurantes de beira de estrada, observar as pessoas. Agora ninguém merece ter na poltrona ao lado um cara que ronca sem parar. As várias cotoveladas não adiantaram nada. O discman veio à máxima durante todo o trajeto. Cheguei a ficar com um pouco de dor nos ouvidos. E me arrependi de ter trazido apenas seis CDs. A volta é de avião, já que segunda-feira é o primeiro dia no novo emprego.
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A programação de ontem foi definida em cima da hora. Acabei assistindo ao show do Cake. Muito bom, apesar de ter ficado com a clara sensação que se fosse fã teria aproveitado muito mais. Legal que tocaram músicas de todos os discos, e não faltaram, é claro, os sucessos Never there e I will survive, que fechou a apresentação. O Tom Zé fez uma participação especial. Começou a improvisar com o nome do líder do grupo, John McCrea: "McCrea cria cria cria criador cobra criada". Êta brasilinidade...
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Não poderia faltar uma visitinha à galeria do rock. Além do disco da Laranja Freak, comprei Mutantes e seus cometas no país do baurets, a pedido de um amigo de Brasília. Ótimo! Quase que eu mando dizer que não deu para comprar e fiquei com disco. Só não teria como ouvi-lo. Meu único aparelho de som é o meu discman velho de guerra.
Escrito por Mário Coelho às 17h22
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