Pílulas de inspiração
Caiu a noite, chegou a hora parece que não vem Mas a vontade é que demora não dá mais pra ficar sem sentir
Lobão - A noite
Desde moleque que eu sempre me dei melhor com a noite do que com o dia. Acordar cedo para ir ao colégio era uma tarefa extremamente penosa para mim. Minha mãe tinha que ficar me chamando de cinco em cinco minutos até eu reunir forças e me levantar, quase sempre em cima da hora. Isso porquê eu adorava ficar acordado até tarde ou vendo televisão ou lendo algum livro da série Vaga-lume. Aí claro, dormir tarde e acordar cedo não era uma boa combinação. Era só chegar da aula, almoçar e tirar uma soneca pós-almoço antes de fazer os deveres de casa e ir jogar bola com a turma.
Isso tem muito a ver com o meu pai. Ele sempre dormia tarde. Mas, ao contrário de mim, ele se sentia satisfeito com poucas horas de sono. Tanto que depois de me levar no colégio sempre fazia uma caminhada de seis quilômetros na Beira-mar, para então seguir para o trabalho. Sempre me lembro do barulho do rádio ligado na rádio CBN de madrugada, nas ondas curtas do velho Motorola que ele carregava por toda a casa. Isso foi muito antes da emissora ter uma afiliada em Florianópolis; só era possível pegar o sinal no horário que ele costumava ouvir. Acho que isso acabou me influenciando, de uma maneira ou outra.
Em tempos que não tenho muita coisa pra fazer - pra não dizer nada -, troco com uma facilidade incrível a noite pelo dia. Parece que a madrugada me inspira. A leitura flui com mais facilidade, prefiro assistir filmes e ouvir música nesse horário um tanto fora do comum. Até mesmo para apontar soluções para os meus problemas atuais é melhor. E, é claro, sempre gostei dos filmes ruins que as emissoras passam normalmente nesse horário. Coitados daqueles que têm como horário de trabalho a madrugada e a única companhia é a televisão...
Mas, ultimamente, parece que as emissoras, especialmente a Globo e o SBT, têm procurado fazer uma seleção um pouco melhor de filmes e seriados. Neste quesito, a emissora de Silvio Santos tem caprichado mais. Além de estrear o seriado Além da imaginação no lugar do 7th heaven (não lembro o título traduzido), já foram ao ar filmes como Tombstone, um grande faroeste com Kurt Russel, Val Kilmer e Sam Elliott, O bebê de Rosemary e Bonequinha de luxo, todos na madruga. Sem contar que agora, aos sábados à noite, é a vez do cinema estrangeiro - leia-se por estrangeiro tudo aquilo que não é produzido nos EUA, vai entender. Ontem passou Entre as pernas, ótimo filme espanhol com Javier Bardem e Victoria Abril.
A Globo não tem feito feio não. Tempos atrás foi ao ar O estigma da crueldade, com Gregory Peck e Joan Collins. Teve outro também com Peck: O sol é para todos. Agora, a emissora deu uma bola muito fora ao tirar a série Monk da programação das madrugadas. Tem nem como comparar com as reprises das mesmas temporadas de Angel ou de Spin City. Infelizmente, tudo o que foi citado são aquelas exceções que comprovam a regra. Normalmente o que vai ao ar é muito ruim. Ou então são aquelas reprises das reprises. Mas, para quem é notívago como eu, é facil achar entretenimento em casa, mesmo sem um computador e um aparelho de DVD.
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Update de terça-feira
Quem também tem feito um trabalho legal é aTV Brasília, que retransmite parcialmente a programação do Canal 21, da BAND. Ontem, passou a ópera-rock Tommy, do The Who. Todas as sextas-feiras têm sido transmitidos, na Sessão das Duas, filmes do Alfred Hitchcock das décadas de 1930 e 1940. Semanas atrás teve Virando o jogo e A máquina do tempo.
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Eu odeio lanhouses. Sabe por quê? Sempre tem alguém ouvindo um maldito poperô. Parace que as pessoas pensam que é intrínseco: ah, frenqüentas uma lanhouse e gostas de techno. Ontem eu estava munido do meu discman, e pude neutralizar a música feia e boba com muito Weezer (Maladroit) e The Clash (London calling). Hoje, os bastardos me pegaram desprevinidos!
Escrito por Mário Coelho às 14h38
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