Desabafos regados a Malboro e Coca-Cola


Coisas boas para fazer enquanto trabalhamos

1- ouvir música (hoje é o Prolonging the magic, do Cake, e In your honor, novo do Foo Fighters);
2- tomar café recém passado;
3- fazer um intervalinho para fumar na varanda;
4- ler todos os jornais que a empresa recebe;
5- dar uma pausa, entrar no Orkut e nos e-mails;
6- entrar no Google e buscar mais informações para matérias;

Em breve novas informações, talvez role uma dupla jornada. No sei, talvez, quién sabe?



Escrito por Mário Coelho às 14h22
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A escuridão detona

We're not as close
As everybody thinks
In the eye of the storm
We keep each other warm
The Darkness - Love on the rocks with no ice


Espero que essa luz não ofusque os meus reflexos! A foto acima é da
formação original, antes da saída do baixista Frankie Poulain

Até setembro de 1991, a parada americana vivia com as mesmas figurinhas carimbadas. Era Michael Jackson, Madonna e Guns'n'Roses que se revezavam nas primeiras colocações da Billboard. Tudo mudou com uma até então banda obscura de Seattle e o disco com um bebê tentando alcançar uma nota de um dólar dentro de uma piscina foi lançado pela Geffen. Era o fim de uma era. Bandas de hard rock como o GNR, Bon Jovi e as farofas Motley Crue, Poison e outras menos favorecidas experimentariam um período de ostracismo graças ao Nirvana e o movimento grunge que veio atrás.

Os grupos posers - ou farofa, como é dito por essas bandas - bebiam numa fonte muito clara. De Led Zeppelin a Doors, passando por MC5 e New York Dolls. Em comum, o visual extravagante, roupas de oncinha, cabelos espetados e repicados, maquiagem, músicas que falam de amor e mulheres, muitas baladas sentimentais. Eram bandas que mexiam com o coração das meninas. O que mais ouvia-se nos shows eram os gritinhos das fãs em êxtase. No ano em questão, Guns'n'Roses colocava no mercado uma superprodução: os álbuns duplos Use your illusion I e II. Megalomania é pouco.

O Nirvana, junto com Pearl Jam, Soundgarden, Alice in Chains e Mudhoney, contribuíram para colocar as coisas em perspectiva. Não era mais necessário vestir-se como os posers faziam, nem gastar tubos de dinheiro em videoclipes e levar meses e meses gravando seus discos. Entretanto, o movimento não durou muito. Do estouro mundial, em 1991, até a morte de Kurt Cobain, em maio de 1994, não foram nem três anos. Como na música os ritmos do momento vão e vêm em ciclos, era uma questão de tempo que surgissem bandas de hard rock.

As primeiras vieram da Suécia, país onde todos imaginavam que a única música que tocava era composta por ABBA e Ace of Base. The Hellacopters e Backyard Babies bebiam na mesma fonte das bandas posers dos anos 1980, mas com um estilo mais diferente. Sem extravagâncias, visual mais enxuto, colocaram novamente o hard rock bem tocado no mapa musical. Só que ainda faltava uma que fosse o espelho farofa do século XXI. E ela viria da Inglaterra.

Formada em 2000 pelos irmãos Justin e Dan Hawkins, o The Darkness dedicou seus dois primeiros anos a tocar e tocar pelo circuito underground londrino. Foi em 2002 que saiu o primeiro registro fonográfico, o EP I believe in a thing called love, pelo selo independente Must Destroy Music. Ainda neste ano abririam shows para o Deep Purple e o Def Leppard. Em 2003, a Atlantic Records, após ver o sucesso comercial do single Keep your hands off my woman, que alcançou a 36º na parada britânica, contratou os glam-rockers. Completam a formação o baterista Ed Graham e o baixista Richie Edwards, que entrou no lugar de Frankie Poulain há algumas semanas.

No fim de 2003 chegava às lojas inglesas Permission to land, disco de estréia do The Darkness. A estréia não poderia ter sido melhor sucedida. Na primeira semana foi o segundo mais vendido em todo o Reino Unido. Sete dias depois já abocanhava o primeiro lugar. Era a primeira vez que um álbum estreante alcançava o primeiro lugar desde Parachutes, do Coldplay, em 2000. Até hoje, Permission to land já vendeu mais de dois milhões de cópias no mundo inteiro.

A grande vantagem do The Darkness sobre os companheiros farofas é que eles são divertidos, e estão aí para utilizar todos os clichês habituais do estilo. Não existe novidade na música: tem pitadas de Queen, de AC/DC, de Led Zeppelin, de Kiss, de NYD, de tudo um pouco. Eles conseguem fazer isso com competência. Não são a salvação do rock como muitos dizem, mas tornam tudo mais divertido. Ao mesmo tempo que dizem que acreditam numa coisa chamada amor (I believe in a thing called love), são capazes de afirmar que o amor é apenas um sentimento (Love is only a feeling). Depois embaralham tudo ao clamar por Love on the rocks with no ice. Vai saber a intenção...



Escrito por Mário Coelho às 15h46
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