Diário de viagem última parte: a bomba que nunca deveria ter sido filmada
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Eu gosto de cinema, mas não gosto das salas de exibição. Isso muito por Florianópolis não ter um local que preste. São quatro: uma acanhada dentro do Centro Integrado de Cultura (CIC) e outras três no Beiramar Shopping. Muitos contam as outras quatro localizadas em São José. Mas São José não é Florianópolis, apesar da pouca distância. É o mesmo padrão. Três dentro de shopping, da mesma operadora do Beiramar, e um voltado mais para o circuito alternativo, o Bar Cine York, administrado pelo Cineclube Nossa Senhora do Desterro, o mesmo da sala do CIC.
Por isso não sou um grande freqüentador de cinemas. Em São Paulo, com várias salas de qualidade, não adquiri esse hábito pela simples falta de dinheiro. Aqui em Brasília, talvez a cidade brasileira que possui o maior número de locais por pessoa, também não. Aí a questão é diferente: dinheiro tem, mas por enquanto tenho gastado em outras coisas. Recuperado as leituras e procurado comprar CDs que me agradam.
Sábado parecia ser um dia propício para me atualizar um pouco. Depois da festança de sexta-feira, era necessário um pouco de descanso, fazer programas mais caseiros. Ficar um pouco com a família. Tomar café na casa da Regina, absorver um pouco de cultura da minha ex-orientadora. Conversar sobre literatura policial, saber das últimas fofocas dos corredores do curso de Jornalismo da UFSC.
Apesar das ligações dos amigos, preferi ir na minha videolocadora predileta e pegar um pacotão de filmes. Entre eles, um que há tempos tinha curiosidade em ver: Procuradas, a primeira produção cinematográfica realizada em Florianópolis desde o Preço da ilusão, filme mítico realizado na década de 1950 pelo pessoal do grupo do Sul, entre eles Salim Miguel. Dirigido por Zeca Pires e José Frazão, a história traz Rita Guedes no papel de uma jornalista que faz um documentário sobre o mundo da prostituição.
Dois executivos, um solteiro e outro casado, decidem realizar um passeio de veleiro com duas garotas de programa. Durante a noite elas desaparecem misteriosamente, deixando um clima de desconfiança entre os amigos. Em seguida Ângela, uma diretora de documentários (Rita Guedes), reúne depoimentos de algumas garotas de programa. Entre elas encontra Viviane (Larissa Bracher), irmã de Isa (Paula Burlamaqui), uma das garotas desaparecidas no passeio de veleiro. Após contar o caso a Ângela, ela decide ajudar Viviane na busca pela irmã desaparecida.
Na reunião familiar, um tio meu falou: "Fui na pré-estréia do filme, mais por ser amigo do Zeca e do Frazão. Mas o filme é uma bomba. Roteiro sofrível, atuações horríveis. Mais valia a gente ter ficado só com o Preço da ilusão mesmo, uma aventura de um bando de moleques que não sabia o que estava fazendo". Já tinha lido resenhas negativas sobre o filme. Até o Diário Catarinense, que tem como princípio não falar mal de nada que é de Santa Catarina.
Não existe um roteiro, os diálogos não são naturais, muito menos críveis. A escolha de imagens também é infeliz. Buscou-se dar um ar de documentário ao filme, mesclando depoimentos de atrizes como se fossem prostitutas e planos de câmera no estilo Cidade Alerta. No fim, fica a impressão de que se rasgou dinheiro na execução desse filme. Eu sei que rasguei R$ 4,90 ao pagar a locação.
Escrito por Mário Coelho às 18h43
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