Diário de viagem
parte 2: Memórias alcóolicas
"Meu Deus me responda uma coisa
me responde que eu quero saber
Por que existe ressaca, meu Deus
por que, por que, por que?"
Gramofocas - Por que existe ressaca meu Deus
Eu já sabia o que me esperava. Também não poderia ser diferente. Todos os amigos bebem, e é notório que uma conversa sempre fica mais animada depois de alguns goles de cerveja, de preferência uma Brahma Extra ou uma Original. Não vamos nem citar a Heineken porque é covardia. Já estava até planejado que seria um feriadão para encontrar os amigos, ir numa casa de conveniência e beber muito. Quem sabe tomar uns cafés, fazer umas compras e voltar um pouco mais animado a capital federal.
Talvez seja exagero, mas acho que bebi mais em três dias em Florianópolis do que em cinco meses de Brasília. Meus amigos também tinham a mesma vontade. Parecia que estávamos naquela antiga propaganda do Teen, onde após atravessar o deserto, o homem encontra um boteco e pede um refrigerante gelado, sem esquecer da porção de batata frita, com muito sal. Era assim o clima: bebamos até cair. Ou até pelo menos até nossos bolsos agüentarem.
Se a Paris de Hemingway era uma festa, acho que ele gostaria de Florianópolis também. Pelo menos da nossa turma. Apreciamos - e muito - os prazeres etílicos, gostamos de tirar com aqueles que não são jornalistas, especialmente designers e publicitários. Quem sabe ele se ressentisse um pouco das nossas reclamações sobre a profissão. O quanto ganhamos mal, o tanto que somos explorados. E olha que isso são queixas de quem tem emprego.
Além disso tudo, sempre sobra um tempo para tomar uns cafés, seja na melhor cafeteria da cidade, seja na casa de uma pessoa querida. E isso ele gostaria também. Afinal, ele não escreveu sobre a Primeira Guerra Mundial sentado nos melhores cafés de Paris, sorvendo um expresso ou um cappuccino? Acho que iria gostar. Não o Hemingway da fase Cuba, que ninguém agüentava. Agora chega desse bronco.
Após nove horas de viagem, boa parte desse tempo sentado esperando em aeroportos, cheguei a Florianópolis. Desde janeiro eu não via a família. Para aumentar o suspense, resolvi fazer uma surpresa, chegar de mansinho em casa. Quando cheguei, é claro, foi aquela festa. Festa esta que logo acabou, já que tinha que encontrar com amigos para beber. Acho que o cansaço influenciou um pouco. Foram só três canecas de chopp. Mas no dia seguinte a conta seria aumentada.
O local eu não conhecia. Um tal de Sins Pub, no Centro da cidade. Dizem que é um lugar para o público GLS (ops, agora é GLBTT, acabaram com os simpatizantes). Realmente tinha bastante gente diversa. A casa me lembrou a Funhouse, justamente por ser numa casa antiga, com pouco espaço para circular e dançar. O som lembrou o DJ Club: um pouco de eletrônico, alguma coisa de trash 80's e muito rock indie. Só que tinha um grande problema.
Em Florianópolis geralmente "empreendimentos" deste tipo são capengas. Não prevendo um movimento maior que o normal, a casa simplesmente não tinha um estoque razoável de bebidas. Então não passava da 1h30 quando acabou a garrafa de 600ml de Skol. Meia hora depois foi a vez de acabar as de Kaiser. Mais trinta minutos e não havia uma única garrafa de long neck para ser vendida. E vimos que os destilados não durariam muito. A decisão era óbvia. "Vamos fugir, desse lugar baby."
(O restante da sexta-feira foi vetado pela censura)
Sábado foi dia de descansar, tomar café com minha ex-orientadora da faculdade. Como é bom ficar uma tarde sem fazer nada de importante, tomando bastante café, conversando sobre litetura policial, os fuxicos do curso, o que tem acontecido por aqui e por lá. Termino o dia com um programa cinema em casa. Oito DVDs para tirar o atraso, entre eles uma bomba que nunca deveria ter sido filmada.
Domingo, outra roda de amigos e muita cerveja. Muitas reclamações, muitas fofocas. Acho que é o normal em agrupamentos de jornalistas. Não é à toa que muitos nem querem chegar perto da raça. Não tem problema, não sentimos falta.