Aprecie com moderação

Thin Lizzy: músicas para o mundo de Malboro
Por mais estranho que possa parecer, se fosse usar uma palavra apenas para me descrever, ela seria "moderado". É, pensando bem, eu sou uma pessoa moderada em tudo que faço. Da minha nerdice às minhas opções políticas, passando pelo interesse em esportes e pelo conhecimento de música e literatura. Por exemplo: por muito tempo saía de casa até uma banca de revistas no Centro pra gastar uma quantia considerável em HQs. Por semana iam pelo menos uns R$ 15. Isso tirando aqueles que eu recebia na época de repórter de Variedades do mais antigo. Comprava, mas sempre sentia que não me fariam falta caso parasse. A mesma coisa com os seriados prediletos.
A minha relação com a música é a mesma coisa. Por muito tempo tive uma relação louca, sempre procurando a novidade da novidade, lendo tudo que via pela frente, vasculhando a internet na busca de novos sons. Um dia isso parou, veio o equilíbrio e a já citada moderação. Desisti de tentar saber tudo, seja na música, no cinema, na literatura, no mundo dos gibis ou na NBA. Deixei a coisa fluir com mais naturalidade. Foi a partir daí que o processo de procurar bandas novas ou sumidas tornou-se mais prazeroso. Minha fonte predileta de conhecimento hoje são os filmes e seriados. O fascínio por Frank Sinatra surgiu dessa maneira.
Numa cena logo no início de Cowboys do espaço,um dos personagens cantarola Fly me to the moon. Pra mim, o eterno "blue eyes" era aquele crooner decadente de New York New York e Strangers in the night. Após ver nos créditos de quem era Fly me to the moon, logo fui buscar outras canções do Sinatra. E aí descobri muita coisa boa.
Os últimos a serem "descobertos" foram os irlandeses do Thin Lizzy. Já tinha ouvido falar, conhecia (e gosto muito) da versão de Whiskey in the jar, gravada pelo Metallica. Tive até um professor de inglês que vivia dizendo que eles eram sua banda predileta. Mas nunca tinha procurado ouvir com atenção.
Até que num dia desses, vendo o programa Jackass, toca uma canção muito boa. Vou atrás e vejo que é uma do Thin Lizzy: Jailbreak. Começo a puxar tudo que encontro da banda, e é uma coisa melhor do que a outra. É como se John Fogerty tivesse tomado várias doses de uísque com energético. Cowboy song, The boys are back in town, Black rose, só coisa boa. Canções fortes, letras fantasiosas, arranjos simples e bem feitos. Lógico que esse é só o início do processo de conhecimento da banda. Voltando pra São Paulo, a primeira coisa a se fazer é uma garimpagem nos sebos de vinis da cidade grande. Por aqui, dificilmente encontrarei alguma coisa. E meu toca-discos nem funciona mais.
Escrito por Al Simmons às 11h18
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|