Desabafos regados a Malboro e Coca-Cola


Acabou

Tudo que tem um começo tem um fim. E tudo que tem um fim tem um começo.



Escrito por Mário Coelho às 00h14
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How are things on the west coast?

Agora estão bem, mas a angústia novamente foi grande por um bom tempo. Especialmente a partir de quarta-feira, quando acordei com uma gripe misturada a uma dor de garganta dos infernos. Eu já tinha passado por situação semelhante em 2005. Mas não conseguia me controlar. A expectativa para assistir o último show da turnê sul-americana do Interpol era enorme. Ver o quarteto de Nova York seria o equivalente de 2008 ao Strokes três anos antes. Afinal, o posto de banda predileta no momento está sempre vago, apesar de as cinco primeiras nunca mudarem. Ingresso e passagens compradas, hospedagem garantida e quase toda a raça confirmada, era só esperar a hora de fazer a mala e tocar para o aeroporto. Diabos, como isso demorou!

Chegando em Belo Horizonte, a supresa. A previsão do tempo dizia que iria chover, mas a manhã estava ensolarada na capital dos mineiros. Por conta da gripe que me deixou acordado a noite inteira - sem contar o vôo praticamente na madruga -, era melhor mesmo ir para a casa da Fernanda e lá dormir um pouco. Muita água, suco, amoxilina e um bacalhau no almoço ajudaram bastante na tarefa de juntar forças para o que vinha pela frente. Horas depois, à noite, a previsão virou realidade: chove sem parar em BH. Ilhados no Mc Donald's perto do bar onde faziamos um esquenta, não tivemos alternativa a não ser correr e encharcar os pés. A chuva diminuiu e podemos ir à pé para o local do show.

Chegando lá, a banda de abertura tocava uma música do Mutantes. Quando você tem mais ou menos 30 minutos para abrir o show de um grupo gringo, coloca um cover no seu repertório? Enfim, eu nem prestei muita atenção neles mesmo, havia muita luz naquela hora. Mais, eu estava nervoso para ouvir os acordes iniciais de Pioneer to the falls, música com que o Interpol abriu todos os shows até então na turnê sul-americana. Acaba a apresentação de abertura. As luzes vão diminuindo. Os roadies saem do palco e a expectativa só aumenta. Até que um som tribal começa a ressoar pelos alto-falantes. O telão atrás do palco se acende. Os quatro rapazes de NYC, bem vestidos e altamente blasés, entram no palco.

Nessa hora não tem muito como segurar a emoção. É cantar junto em Pioneer to the falls, berrar em Obstacle 1, vibrar com Narc e C'mere. Estamos só no começo, as quatro primeiras músicas, e meu folego de fumante vai para o espaço. Ah, que se dane o dia seguinte, que a gripe vá para aquele lugar, eu quero mais pular e cantar junto. Dividir aquele momento tão esperado com meus amigos. As músicas que são símbolo para a galera, como Evil e Slow hands, são mais significativas. É a gente pulando em rodinha até não aguentar mais! Tirando o momento Lighthouse, onde todos aproveitaram para descansar, ir ao banheiro ou comprar cerveja, não tem como fazer reparos ao que o Interpol mostrou em Belo Horizonte. Eu liguei para pessoas que não estavam lá, mandei mensagens, fiz tudo para dividir também com quem não foi. 

Nem acreditei quando começaram os primeiros acordes de PDA. Terminava ali o sonho de aproximadamente 90 minutos. Terminava ali, interrompidos por poucos minutos do intervalo antes do bis, uma seqüência espetacular: EvilHeinrich maneuverNot even jailUntitled/NYCStella was a diver and she was always down e PDA. Por muito tempo, por tudo que tinha visto, sempre achei que me decepcionaria muito em um show do Interpol. Isso não aconteceu! Qualidade de som, presença de palco (cada um ao seu modo), boa iluminação, pouco papo. Enfim, os quatro me surpreenderam mesmo, entrando logo para o pódio dos melhores shows que eu já vi. Um único problema: não precisavam fazer o mesmo set list de todas as apresentações na América do Sul, né? A mesma seqüência, as mesmas músicas, com exceção de uma troca ali e outra lá.

Mas enfim, isso não é nem um pouco importante. O que importa é que o Interpol hoje faz companhia a Strokes e Franz Ferdinand no top 3 dos melhores shows que eu vi. Não farei como Antônio Carlos, mas que eu estou satisfeito por ter visto quase todas as minhas bandas prediletas tocarem isso eu estou. Agora eu posso ficar tranqüilo até o Radiohead resolver descer por essas bandas.



Escrito por Mário Coelho às 05h03
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Buzine se você...

Um amigo mandou o link semanas atrás. Mas eu já tinha acompanhado todo o processo pelo ótimo blog do Terron. Dizem até que virou mania na internet. Só sei que são muito engraçados. E o melhor: no terceiro vídeo, dezenas de estrelas de Hollywood participam da brincadeira, todos dentro de uma grande piada. Alguns até mudaram sua imagem de galãs. Enfim, todos os vídeos mostram desprendimento com a imagem de estrela de cinema. Até parece que os atores brasileiros, todos abençoados por uma entidade superior com talento fora do comum, iam participar de qualquer coisa parecida. Quando muito, aparecem no hoje sem graça Casseta e Planeta com roteiros negociados. Enfim, a história cresceu tanto que recebeu até uma paródia.

Tudo começou aqui, com a tradicional brincadeira do apresentador norte-americano Jimmy Kimmel, que, no final do programa, dizia "nosso tempo acabou. Desculpa, Matt Damon!" Ele até fez isso com Damon no programa.

 

Matt Damon deu o troco, com a ajuda da mulher de Kimmel:

 

Não parou aí. Kimmel voltou à carga, e com uma penca de astros para ajudá-lo, no maior estilo We are the world.

O viral foi tão grande que surgiu até uma paródia, direto do set de filmagem de Zack and Miri make a porno, novo filme de Kevin Smith:



Escrito por Mário Coelho às 02h21
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Oh my friend, the end

A notícia caiu como uma bomba na cena alternativa de Santa Catarina no começo da semana. No Orkut, M. Leonardo, baixista da Pipodélica, anunciava o fim da banda em um comunicado curto e lacônico. Nos blogs de coleguinhas que trazem notícias sobre música, um misto de pesar e resignação. (Tem post aqui, aqui e aqui.) É realmente uma pena. A Pipodélica era, sem dúvida alguma, a banda com trabalho mais consistente que surgiu em Santa Catarina. Sem desmerecer as boas, o quarteto estava a anos-luz dos colegas de cena. Ao que tudo indica, após sete anos de atividade, eles cansaram de dar murros em ponta de faca e também um dos outros.

Eu conheci a Pipodélica em 2000, quando eles ainda eram um quinteto e Eduardo Xuxu, guitarrista e principal compositor, dividia os vocais com uma garota. A influência de rock progressivo ainda comandava as composições. Ao vivo, a banda mostrava insegurança. Não gostei. Naquela época, eles tinham um apelido nada lisonjeiro, que rapazes de outras bandas faziam questão de espalhar por aí. Tudo mudou em 2002, quando saiu o EP "Enquanto o sono não vem". A menina que arrepiava os vocais saiu, assim como o outro guitarrista. Consolidados em um quarteto, a produção só subiu. O progressivo foi perdendo espaço para o pop e o indie do anos 2000. Isso fica bem claro nos espetaculares "Simetria radial" e "Volume 4".

Eu fiquei triste. Não só pela qualidade da Pipodélica. Ótimos discos, shows cada vez melhores. Eles sempre davam um jeito de encaixar uma cover aqui, outra ali, nas apresentações. De Molly's chambers, do Kings of Leon, a Space oddity, do David Bowie. Com essas armas, a Pipodélica conseguiu se destacar no cenário alternativo brasileiro. Tocou nos principais festivais do país, foi elogiada por toda a crítica especializada. Agora, é esperar a banda lançar o último disco, "Não espere por nós", no forno desde 2006. A partir do término das atividades, Santa Catarina continua com a sua história das bandas que podiam e não foram. Do Expresso Rural, lá no fim dos anos 1970, a Phunky Buddha e Os Pistoleiros, no início do século XXI.



Escrito por Mário Coelho às 20h10
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Frasista

O Pereio, antes de tudo, é um grande frasista. Ok, é forçar um pouco a barra. Afinal, todas as frases abaixo são de filmes dele, escritas por outras pessoas. Mas a interpretação que ele dá às palavras transforma essas simples letrinhas em mantras. Além do mais, o que dizer de um cara que foi um dos melhores atores da sua geração, escreveu o hino da campanha da legalidade com outros malacos e ainda conseguiu ser expulso de uma suruba?

- "Eu te amo, porra!""
- "Não é qualquer vadia que entra no meu Maverick."
- "Sobe aí que eu te levo para tomar um sorvete..."
- "Que tal a gente subir pra apreciar a lua cheia?"

Todos os exemplos foram tirados de Intro/A jeitosa do morro, música que abre o disco "Sexy 70 - music inspired by the brazilian sacanagem movies of the 1970's", do Che. Nessa mesma faixa, tem a musa Helena Ramos, com frases igualmente deliciosas (sem contar o jeitinho, né?):

- "Eu não sou mais virgem, faz muito tempo.."
- "Ora, mamãe, você nunca fez isso com papai?"
- "Piranha também é filha de Deus, meu filho!"
- "Mas você me jurou amor eterno, Ricardo!"



Escrito por Mário Coelho às 19h37
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Novas

Agora eu colaboro com o Filhos da pauta, favorito do blog há muito tempo. Inclusive, já postei um texto lá sobre jabá. Vejam e comentem!

=)



Escrito por Mário Coelho às 01h05
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Brincando de Flemming

Peguei uma gripe forte na quinta-feira, trabalhei no automático na sexta e hoje estou de molho em casa. A televisão está no mudo e o iTunes viaja entre os meus mp3s. Por conta da gripe, dormi até o meio da tarde de hoje. Isso explica, em parte, o fato de eu estar acordado até agora. Ainda há pouco, estava na cozinha fazendo um pão com queijo e presunto para acabar com a fome da madrugada. Como e espero passar um pouco de tempo para poder tomar mais uma dose do remédio. Enquanto preparava o sanduíche, tive uma idéia para um post. E lá vem mais uma listinha inspirada em Rob Flemming, o personagem predileto de qualquer indie que tenha vivido um pouco dos anos 1990. Este é o top 5 músicas de bandas que eu quase não conheço.

5- House of Pain - Jump around 
A primeira lembrança com os rappers brancos de Boston ascendentes de irlandeses remete a um verão na praia dos Ingleses, em Florianópolis. Devia ser 1996 ou 1997. Por aí. Estava em um grupo quando um carro passou pela gente. Tocava essa música e eu comecei a pular na calçada. Meus amigos não entenderam nada. Hoje, mais de 10 depois, eu faço isso toda vez que o Bode Velho toca essa música nas festinhas. Até o "homenageei" na "Nada de samba!", do sábado passado. Nunca corri atrás de outras coisas. Recentemente baixei um ep deles, com três versões para Jump around. Nem quis saber do resto.

4- Motorhead - Ace of spades
Para quem não sabe, eu cresci em um ambiente heavy metal. Afinal, rolou no início de 1991 o lançamento do disco que significaria para muitos adolescentes, como eu, a abertura das portas do mundo do deus metal: o Black album, do Metallica. A partir dali, eu saí em busca de várias bandas do ritmo: Megadeth, Anthrax, Iron Maiden, Black Sabbath e por aí vai. Mas nunca me interessei por Motorhead. Com exceção de Ace of spades e de Orgasmatron, acho que nunca ouvi outra música composta por Lenny Kilmister. Eu gosto tanto de Ace of spades que saiu dessa música a vontade de tatuar um ás de espadas, coisa que fiz no ano passado.

3- Supergrass - Alright
Não sei se é pela expectativa de que todas as músicas sejam tão contagiantes quanto Alright, mas eu nunca quis conhecer realmente o Supergrass. Para não dizer que não tenho disco algum deles, comprei, tempos atrás, uma coletânea. E eu nunca passei da faixa três. Pior que não importa quanto meus amigos perguntem se eu já ouvi o último disco e como está tão bom, eu nunca vou passar da faixa três da coletânea. Foi justamente quando tocava Alright no iTunes que eu tive a idéia de fazer esse post técnico. Ah, antes que eu me esqueça: essa é uma daquelas músicas que conseguem deixar feliz quem a ouve por alguns minutos.

2- Teenage Fanclub - Star sign
Justamente por ter passado por uma longa fase metal, que só não foi maior pelo surgimento do grunge, eu perdi boa parte das bandas que formavam o alternativo norte-americano da década de 1990. O Teenage foi uma delas, e acabou com fim parecido ao do Supergrass: uma coletânea na estante aumentando o número da coleção de discos. Devo ter ouvido o CD inteiro uma ou duas vezes. Eu ainda gosto mais da versão de Like a virgin que eles fizeram, mas essa eu não tenho. Star sign sempre é muito bem recebida nas festinhas anos 90 que a gente faz de vez em quando.

1- The Flaming Lips - She don't use jelly
Em um bairro incerto de São Paulo, eu e três amigos pegamos um táxi com direção a avenida Augusta. O rádio estava sintonizado em alguma emissora rock da capital paulista. Um dos amigos comenta, perplexo, que, assim que o taxista acelerou o carro, começa a tocar Flaming Lips na rádio. Isso foi no carnaval do ano passado. Eu tinha um disco deles na época, o "Yoshimi battles the pink robots", de 2002. Confesso que não chamou muito minha atenção não. Mas She don't use jelly é fantástica. Sua letra nonsense e o clipe psicódelico dão mais alegria à música, cheia de efeitos de guitarras. Das cinco bandas, o Flaming Lips é o que eu tenho mais discos. Além do Yoshimi, "The soft bulletin", que é muito bom, está na minha estante.



Escrito por Mário Coelho às 03h20
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Todo carnaval tem seu fim

E eu nem quis brincar de ser feliz ou pintar o meu nariz. O carnaval terminou para mim somente ontem, já que no trampo a quarta-feira de cinzas foi transformada em feriado. Não que isso tivesse mudado alguma coisa e acrescentado mais esbórnia à minha folia. O programa do carnaval foi praticamente o mesmo. Sem colocar o pé fora de casa, vendo filmes, lendo e dormindo. Cada vez mais gosto de ficar no meu apartamento, curtindo o silêncio e a solidão. Deixo os telefones no mudo, atendo somente quem eu quero e quando eu quero. Por favor, deixem recados para eu avaliar se vale a pena gastar créditos ou não.

Claro que não foi todo o tempo assim. A programação deste ano começou de maneira bem nerd: Tenacious D e Death proof na casa do Ronaldo, na sexta-feira. Na primeira vez que vi o filme do Tarantino, no Festival Internacional de Cinema de Brasília, confesso que não gostei muito. Agora, vendo em DVD, achei a fita fantástica. Acho que o problema foi o lugar que assisti antes, uma sala de shows adaptada para cinema. Depois, no sábado, teve a "Nada de samba", cujo set list publiquei no post anterior. Como disse a mineirinha Fernanda, a gente virou especialista em fazer festas em datas que não gostamos. Ano-novo, carnaval e qualquer outro feriado que tenha sentido para as outras pessoas. Menos nós, claro. Dois dias depois, a farsa do nome. Não deixa de ser engraçado você ir a uma festa chamada Rock and roll, chegar lá e tocar um monte de coisas que não são rock. Coisas do público indie de Brasília. 

Esse carnaval me lembrou muito o meu primeiro ano em Brasília. Tinha chegado há pouco mais de um mês, não conhecia ninguém e estava sem dinheiro. Quer dizer, dinheiro eu tinha, mas não podia sacar porque o cartão do banco venceu e levou quase dois meses após o vencimento para eu receber o novo. Passei três dias enfurnado na pousada onde morava. Apenas eu estava lá. Até a dona do lugar se mandou para curtir o carnaval. Deixou a chave comigo e viajou para o interior de Goiás. Usei o pouco dinheiro que tinha para comprar comida e me enterrei nos livros. De vez em quando ligava a televisão para ver um pouco dos desfiles das escolas de samba. Na segunda-feira, fui até o jornal onde trabalhava e fiz umas notas para a coluna de política do jornal, olhei meus e-mails e pedi um lanche do Mc Donald's, que aceitava cheques de conta de outros estados. A grande diferença de 2005 para 2008 é que este ano o isolamento foi voluntário.

Nos quatro carnavais desde que cheguei aqui, nenhum programa se repetiu exatamente. Em 2006 eu estava de plantão no jornal. Confesso que foi divertido cobrir as "escolas de samba" no Ceilambódromo. Mas o que mais valeu a pena foi ter fugido da cobertura dos blocos, como o Pacotão e o Galinho de Brasília. Não tenho paciência para essas coisas não. No ano passado, fui para o verdadeiro túmulo do samba. Muitas baladas rock em São Paulo, encontros com os amigos e mashups no Clash Club. Além da tradicional visita à Galeria do Rock e aos sebos do centro da cidade. Ano que vem provavelmente estarei de férias. E a escrita de os carnavais não se repetirem deve permanecer. Nada como a rotina da falta de rotina.



Escrito por Mário Coelho às 08h27
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Nada de samba

Boa festa. A Landscape encheu e o povo dançou das 23h até às 5h, sem distinção nas músicas mais meiguinhas ou nas mais pesadas. Minhas duas seqüências foram bem prestigiadas. Toquei obviedades e algumas coisas diferentes. O resultado, apesar de alguns erros, me satisfez.

Primeira seqüência:

1- Dave Dee, Dozy, Beaky, Mick and Titch - Hold tight
2- Backbeat Band - Please mr. postman
3- Rolling Stones - Satisfaction
4- Kings of Leon - Molly's chambers
5- Van Halen - Pretty woman
6- The Clash - Should I stay or should I go
7- Snoop Dogg - What's my name
8- House of Pain - Jump around (apropriada do Bode Velho)
9- Michael Jackson - Thriller
10- Jay R - Sri Lanka high (mashup de Rock'n'roll high school, do Ramones, e Galang, da M.I.A.)
11- Divide and Kreate - Illiterate city (mashup de Paradise city, do Guns'n'Roses, e ABC e I Want you back, do Jackson Five)
12- Artic Monkeys - Fluorescent adolescent
13- Strokes - Reptilia
14- White Stripes - Doorbel

Segunda seqüência

1- Metallica - Enter sandman
2- Nirvana - Lithium
3- Foo Fighters - Long road to ruin
4- Red Hot Chili Peppers - Suck my kiss
5- Pixies - Debaser
6- Blur - Song 2
7- REM - It's the end of the world as we know it (and I feel fine)
8- Iggy Pop - Candy
9- Strokes - Last nite
10- Franz Ferdinand - Do you want to
11- Killers - Somebody told me
12- Kaiser Chiefs - Ruby
13- The Fratellis - Chelsea digger
14- Strokes - Heart in a cage
15- Max Entropy - Short skirt, long bridge (mashup de Short skirt, long jacket, do Cake, e London bridge, da Fergie)



Escrito por Mário Coelho às 06h35
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O homem de preto

O primeiro contato veio com o filme Alta fidelidade. Em um determinado momento, o personagem Rob Gordon (por que não Rob Flemming?) cita seus livros prediletos, a "autobiografia de Johnny Cash, por Johnny Cash". Dali a ouvir o cantor norte-americano pela primeira vez levou seis anos, no ano que Walk the line foi lançado no Brasil. Indiretamente, claro, já que eu demorei para assistir a cinebiografia, que por aqui recebeu o nome de Johnny e June. Mas, motivado pela redescoberta do cantor, morto em 2003, fui atrás dos discos. Comprei dois da série American, o "Unchained" e o "American III - solitary man". Dias depois achei o último da carreira dele, que saiu meses após a morte de Cash: "American V - a hundred highways".

Consegui, pelo menos, completar a coleção da série American. O melhor de todos, claro, é o "American IV - the man comes around", com a magnífica versão para Hurt, do Nine Inch Nails. Em uma entrevista para a revista Rolling Stone, Trent Heznor, dono da banda, disse que a versão tinha ficado tão boa que, ao ouvir pela primeira vez, parecia que estava assistindo alguém transar com sua namorada na sua frente. O resto veio com coletâneas e downloads. Mesmo com tudo o hype em cima do filme, as gravadoras não se interessaram a lançar discos de Cash no Brasil além da coleção American. Uma pena.

Esse nariz de cera todo para dizer que, por um bom tempo, pensei em adaptar uma das músicas de Cash e fazer um conto. A escolhida era The boy named Sue. Mas, cada vez que ouvia a canção, via que seria uma tarefa complicada. As letras de Cash funcionam como pequenos contos. Elas não têm espaço para crescer. Pelo menos não na forma escrita. Podem ser transformadas em roteiros, mas não em outros textos. A poesia dele se completa e se basta na forma musicada. Assim como Bob Dylan e um punhado de caras, ele era um poeta, fazia o que muita gente não conseguia. O mais legal que de uma forma simples e pop, apesar dos arranjos country. JC definitivamente está no meu top 5. Em qualquer um que eu faça.



Escrito por Mário Coelho às 07h44
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Matar sim, praguejar não

Eu já tinha idéia do que me esperava. Em entrevista à revista SET, Bruce Willis dizia que os produtores de Duro de matar 4.0 preferiram fazer o filme de uma maneira que a censura fosse para maiores de 13 anos, desde que acompanhados pelos pais. E, para isso acontecer em uma fita de ação, eles teriam que tomar certos cuidados. Não nas cenas de ação, diminuir a violência e o número de mortes. Para garantir que a molecada fosse aos cinemas assistir mais uma continuação do blockbuster, bastava que os roteiristas não colocassem palavrões no texto, como fuck, motherfucker, son of a bitch, shit e por aí vai. Eles teriam uma cota para preencher. Em todas as poucas mais de duas horas de filme, aparece um asshole na metade e a famosa frase de John McClane nos minutos finais.

Não que isso tenha mudado minha opinião sobre Duro de matar 4.0. Uma boa fita de ação, que, para quem gosta do gênero, prende a atenção do início ao fim. Tem suas cenas forçadas, como quando McClane cai de uma ponte bem em cima de um caça da Força Aérea norte-americana. Agora, os cuidados durante a produção para assegurar a presença dos adolescentes nas salas de cinema foram de uma hipocrisia fantástica. Nunca que o personagem de Bruce Willis havia matado tantos "bandidos". E nunca que os bandidos tinham matado tantos "mocinhos". Mas falar palavrão não pode! Afinal, as crianças precisam de bons exemplos vindos da telona...



Escrito por Mário Coelho às 06h27
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Estalo de dedos

Tirado do blog do Lúcio Ribeiro, no iG:

"Sabe aquele texto meu do post passado, sobre o pós-mega-neo-new-novo rock e o tempo em que vivemos hoje? Pois então. Achei um artigo do New York Times que em três linhas explica perfeitamente o que eu tentei em 300. Data de junho do ano passado, escrito pelo bamba Kelefa Sanneh. É o trecho inicial de uma resenha sobre o grupo local Vampire Weekend. E é mais ou menos assim:

'Para um atuante fã de indie rock em 2007, um álbum de estréia é mais um produto final do que um ponto de partida. Na hora em que o primeiro CD ensacado e com código de barra chega às lojas, a banda em questão provalvelmente já é notícia velha, tendo percorrido muitos ciclos online do hype e da derrubada. Num mundo que não irá esperar pacientemente pela data oficial de lançamento de um álbum, faz mais sentido falar sobre o primeiro MP3, a primeira aparição no YouTube, a primeira música postada no MySpace...'

Até o brilhante “New York Times”, diário americano austero, “adulto” e algo atrasado em música (“so last-year”), já percebeu que o mundo mudou. Que beleza.
Depois desse papinho inicial, toma aí a continuação das bandas pós-new-novas mais legais de agora, aquelas que vão deixar seu 2008 mais feliz. Ou não.
"

Só li as três linhas do cara do NYT, não fui atrás do resto. Mas, pra mim, fica claro que o cara faz uma crítica à maneira que se consome música atualmente. Tudo é efêmero, surge e desaparece na mesma velocidade. Para quê comprar ou baixar o segundo disco daquela banda hypada em 2006 se tem a novidade pintando no MySpace mais perto de você? Não existe mais distanciamento. Ninguém mais quer saber de acompanhar carreiras, de procurar ligações do que está sendo construído com o que já existe. O "cool" é brincar de quantas bandas desconhecidas você e mais ninguém conhece. Agora isso é conhecimento. E quase todos caem nessa cilada.

E aí eu pergunto: quantas dessas melhores bandas da última semana serão realmente relevantes daqui três, quatro, 10 anos? Quantos grupos vieram na cola do Strokes e o hype do Napster em 2001 e quantas existem até hoje? Por quase três anos vivi sem computador; conseqüentemente, tinha um acesso relativo à informação, mas não tinha como adquiri-la. O que acabou sendo uma coisa boa. Para comprar um CD, que é caro mesmo, tinha que ter certeza do que estava fazendo. E os métodos eram os mesmos de 10, 15 anos atrás: amigos que mostram o disco, a MTV que passa o clipe e a música que toca na balada. Hoje, escrevendo no meu lap top HP, com uma boa conexão banda larga, não sei o que baixar, tamanha são as opções. O que, na verdade, vira nenhuma.



Escrito por Mário Coelho às 02h42
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Reign in blood

Zé do Caixão voltou e está mais sedento por sangue do que nunca. Encarnação do demônio, fim da trilogia sobre o coveiro que busca a mulher ideal para ter seu filho, aparenta, pelos três minutos de trailer, ser o mais explícito de todos os filmes do personagem que deixou José Mojica Marins conhecido no mundo inteiro. Quem quiser, pode se preparar assistindo as duas primeiras partes - À meia-noite levarei tua alma e Esta noite encarnarei no teu cadáver, e ver outras obras do mesmo gênero de terror, o atualmente chamado torture porn. O filme está previsto para estrear no circuito comercial em março deste ano.



Escrito por Mário Coelho às 03h06
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Onde você dormiu a noite passada?

Dos incontáveis acústicos da MTV, especialmente nos últimos anos, esse talvez seja o melhor. E, além de tudo, o mais arriscado. Ao aceitar o convite da emissora para gravar em 1993 o "Unplugged in New York", o Nirvana jogou todas as poucas fórmulas no lixo e fez um programa diferente dos demais. Tocou apenas um hit, abusou das covers e convidou uma banda obscura do Arizona para participar da apresentação. Essa combinação de fatores deixou os produtores da MTV de cabelos em pé, temerosos com o fracasso de audiência. Mas, ao assistir o programa inteiro, sem cortes, no recém lançado DVD do acústico, percebe-se facilmente que Kurt Cobain e companhia transformavam em ouro tudo que tocavam.

O Nirvana escolheu o caminho mais difícil. Dos singles de "Nevermind", o grande sucesso comercial da banda, tocaram apenas Come as you are. Em um determinado momento, Cobain questiona a platéia, quando pedem para tocar In bloom. "Como se toca In bloom de maneira acústica?", retrucou. Do último disco de estúdio, "In utero", apareceram as obscuras All apologies, uma das músicas de trabalho do acústico, Dumb e Pennyroyal tea. O único single, Heart-shaped box, ficou de fora. De um total de 14 canções, seis eram composições de outros artistas: uma do Vaselines, outra do David Bowie e mais três do Meat Puppets, além de Where did you sleep last night, uma canção folk norte-americana do século 19.

Os 56 minutos da apresentação do Nirvana em Nova York não serviram apenas para mostrar o legado da banda para o futuro, de como eles faziam as coisas ao seu modo. Nem sempre seguiam isso - não era uma banda que seguisse a filosofia punk do do it yourself. Até hoje o Nirvana tem sua influência. Já se vão 16 anos desde que o trio de Seattle lançou Nevermind e o disco continua atual - escrevi um post um tempo atrás sobre a banda. O acústico mostra um Nirvana que nem todos conhecem e até fez os desconhecidos do Meat Puppets terem uma boa vendagem de "Too high to die", lançado em 1994. Ao ver a apresentação, foi inevitável sentir saudade daquele tempo, de músicos que agiam como se não houvesse amanhã. Afinal, como o próprio Kurt disse uma vez, é melhor morrer do que virar um Pete Townsend.



Escrito por Mário Coelho às 02h30
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Poll dance

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer quando fico em Florianópolis é andar pelo centro da cidade à noite. Fiz isso ontem, lá pelas 23h. Poucas pessoas andavam pelas calçadas na noite de natal. Dava para ver bem a iluminação especial para as festas de fim de ano - não sei, mas acho que o prefeito gastou mais que o governador do DF com as pequenas lâmpadas. Agora, engraçado foi passar pela Conselheiro Mafra, área de prostituição da capital. Uma das poucas garotas de programa que ali estavam fazia a "dança do poste", popularizado no Brasil pela personagem de  Flávia Alessandra na novela Duas caras. As prostitutas daqui são mais divertidas do que as de Brasília. Pelo menos para quem vê de dentro do carro, sem interagir com elas.



Escrito por Mário Coelho às 19h18
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